|  | O baú de Macau | |
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|  | | | | | | | | | | | | |  | | Obra: O Pôrto Continental de Areia Branca; Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário; Coleção Mossoroense; Série C; Volume XXI, 1967; Rio de Janeiro. |
De como a elite política mossoroense tirou o Porto-Ilha de Macau Leio na coluna, Hoje na Economia do jornalista Marcos Aurélio de Sá, [JH 2ª ed. 30/6/2009] que o Secretário estadual do Desenvolvimento Econômico liderou uma delegação de empresários e políticos na visita à área que deverá abrigar mais um porto no município de Areia Branca. Diz o jornalista que o projeto, em fase de elaboração, beneficiará o escoamento de produtos do setor mineral oriundos da região e que os investimentos serão custeados por uma empresa privada, o Governo do Rio Grande do Norte e a Prefeitura de Areia Branca. Será o segundo porto do município que já conta desde 1974 com o Porto-Ilha, exclusivamente para o embarque de sal. Falo sobre o assunto para destacar que esse fato diminui em muito a chance de Macau vir a ter um porto. É o preço que a região paga por ser a terra de ninguém. De Macau, deputados e senadores só querem os votos e nada mais. E quando contraditados por não fazerem nada pela cidade, afirmam que já pagaram “em dinheiro” os votos que conseguiram aqui. E não estão mentindo. Em toda a eleição, um sem número de “cabos eleitorais” negociam os votos dos macauenses. É um mercado espúrio e sem fronteiras éticas e morais. Negocia-se até a alma do cidadão. O assunto também me remete a uma pequena obra da Coleção Mossoroense, série C, Volume XXI, cujo título é “O Porto Continental de Areia Branca”. A publicação, de 1967, do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário, mostra como a elite mossoroense daquela época conseguiu levar o porto-ilha para Areia Branca, quando as condições técnicas indicavam que ele deveria ser construído em Macau. A avaliação foi do Doutor Aziz Nacib Ab’ Saber, cientista e professor emérito da USP, presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, detentor de vários prêmios, inclusive internacionais, em distintas áreas do conhecimento, referência principal em assuntos relacionados a impactos ambientais e meio ambiente, e como conhecedor do Rio Grande do Norte, seus estudos foram decisivos para confirmar a existência de petróleo na Bacia Potiguar. Diz o Doutor Ab’ Saber na citada obra, que “se o plano de construção envolver um equipamento portuário” para atender exclusivamente o escoamento da produção salineira, “todas as circunstâncias geográficas” levam a construção para a “área de maior produção”, no caso Macau. Desde aquela época [1963] até os dias atuais, Macau lidera a produção de sal no Rio Grande do Norte. Não se pode duvidar da capacidade da elite política de Mossoró em arrastar para a região, desde o sempre, tudo o que poderia ser em Macau. Nunca. Eles são capazes de mais coisas do que nós podemos imaginar. Ao tempo em que elevam substancialmente a auto estima do mossoroense com a história de ter “botado Lampião prá correr”, contratam agências de publicidade para mostrar na tv um povo feliz. E mesmo que a dengue, o calazar e a tuberculose [doenças reconhecidamente da miséria e da falta de governo] infernizem a vida dos mossoroenses, estes são mostrados na tv felizes “pinotando” e cantando o “adoro Mossoró”!
Claudio Guerra, em julho de 2009 | | | | Autora: Iruvane Galvão de Miranda; obras: Asas de um ideal [2000] | | | | Autor: Ivan Montenegro; Obras: Seca - Amor e martírio de um povo [1983] | | | | Autor: Ivanildo Teodósio; Poemas ao vento [1999] | | |
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Obra: Monsenhor Honório que eu conheci; Autor: João de Aquino; Edição independente; Fundação José Elviro, 2003, Macau[RN].
p. 14 Depoimento: Monsenhor Honório por João de Aquino [excerto]
Eu conheci Monsenhor Honório como um Padre simples, amigo, paciente, educado, religioso. Um católico muito devotado à Sagrada Eucaristia, ao Santíssimo Sacramento. Um sacerdote humano, mostrando a sua vocação recomendada pelo Mestre. Humilde, com muita resignação, é esse o Monsenhor Honório que eu conheci. ... Tinha em sua casa uma sala onde recebia as pessoas, ouvia seus problemas, aconselhava, e não permitia ser interrompido. E preocupava-se muito com a mocidade, a criança, os adolescentes, com os justos e injustos. ...
João de Aquino,o homem que lutou contra a escuridão “No fim do século vinte, muitas crianças japonesas acreditavam que as bombas de Hiroshima e Nagasaki tinham sido lançadas pelos russos”. A frase é do escritor Eduardo Galeano que nos alerta sobre a inversão dos fatos e a proibição da memória. E como não temos memória, passamos a acreditar que as coisas ocorrem por pura fatalidade. E a cultura, diz ele, passou a ser a “cultura de desvinculação”, pois “as coisas ocorrem sem motivo”. Aqui no Rio Grande do Norte, uma história contada às avessas quer nos fazer acreditar que os tapuias foram culpados por morar aqui quando os europeus invadiram a terra. E hoje, sofrem a acusação de assassinos dos portugueses, os mesmos portugueses que dizimaram os povos indígenas dessa terra de Santa Cruz. Em Macau, poucos jovens e crianças sabem que este chão de sal está manchado pelo sangue dos seus antepassados e como foi árdua a luta contra a natureza inóspita para conquistar cada pedaço de terra e construir a cidade. Uma cidade que já inspirou pelo menos dois belos romances e que talvez poucos conheçam: Macau, de Aurélio Pinheiro, na década de 30 e Barro Blanco, na década de 60, de José Mauro de Vasconcelos. É contra a proibição da memória que muitos professores macauenses travam sua luta diária e que ganham dimensão livros como Macauísmos, de Benito Barros: Um Rio Grande e Macau, de Getúlio Moura e Memória de Macau, de Helio Dantas. É preciso recordar, sempre. Pois bem, eu falo sobre isso para ressaltar que em Macau, houve quem lutou contra esse obscurantismo. E eu sei que num dia qualquer de junho de 1990 um homem simples e altivo que lutou contra a escuridão disse: “A cultura em Macau está desprezada e estão fazendo pouco caso do seu valor”. E disse também o homem simples e altivo nesse dia qualquer de junho de 1990, “A cultura nunca morre, mas é preciso renová-la”. E disse mais ainda esse homem simples e altivo, naquele dia de sol ou de chuva de junho de 1990, “Para a mocidade é coragem e estudar, pois o homem estudando consegue compreender a realidade e ter liberdade, o que o ignorante sem estudo não tem”. Esse homem simples e altivo disse esses ensinamentos para o pequeno jornal Luta Acesa que era editado em Macau por um grupo de jovens que também lutavam contra a escuridão reinante. Esse homem travou por anos e anos uma luta sem tréguas contra a poeira, o cupim, a traça e uma luta maior ainda contra a insensibilidade do poder público. Os sucessivos governantes municipais talvez achassem a memória perigosa e por isso nunca deram atenção àquele homem simples e altivo e ao seu trabalho de colecionar as histórias da cidade. Esse homem simples e altivo foi por muitas décadas o guardião da história da cidade. E pessoas de Macau e do mundo inteiro puderam conhecer um pouco mais da cidade através das mais de 5.000 peças que o homem guardou e conservou para contar a história de cada uma. Cordoalhas de barcaças, mastros de barcos, redes de pesca, carta de alforria, correntes, placas de empresas de navegação, cadeiras, fotografias, selos, moedas, cartas e livros. E também os objetos de uso, vestimentas, paramentos, enfim um pequeno museu dedicado ao Monsenhor Honório. E contando a história de cada peça contava a história de comerciantes, industriais, salineiros, pescadores, barcaceiros, operários, de patrões e empregados. Contava a história de Macau. Macau está completando 132 anos de emancipação política. Era uma das datas comemoradas por João de Aquino no Museu. Agora ele está morto. E se foi uma parte da história da cidade. Agora avançam sobre a outra parte. Invadem o museu, depredam e o poder público continua insensível. Recordação necessária No dia que cheguei em Macau, um sábado de muito sol no final do ano de 1981, percebi que nem tudo era luz na bela cidade que resplandecia no delta luminoso do rio Açu. Havia trevas, muitas trevas, mas havia também quem lutasse contra elas. Depois do Hotel de Geraldo e Elione onde me hospedei, o segundo lugar que entrei e me surpreendi foi o Museu José Elviro. Lá, eu e meus pais, tivemos uma aula sobre a história de Macau, ilustrada pelas centenas de objetos que pacientemente João de Aquino mostrava-nos. Ele tinha o perfeito entendimento de que a memória de um povo é o que lhe dá a identidade e lhe reforça a cidadania. Ao final, João de Aquino nos levou para conhecer um jardinzinho belo e simples que cultivava num pequeno terraço nos fundos do Museu às margens do Rio Açu e nos ofereceu flores, e aí foi outra aula, a de ternura com o forasteiro que chegava numa terra desconhecida. Alguém poderia imaginar melhor acolhida? Claudio Guerra – publicado na Folha de Macau em setembro de 2007.
| Leia mais sobre o museólogo João de Aquino Do livro, Os Homens do Sal no Brasil; autor: Marcel Jules Thiéblot; SCCT, Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, São Paulo, 1979, Coleção Folclore nº 16; p. 74. “.... ‘Areia Branca e Macau está tudo morto’, me disse um velho salineiro. Teatro, não tem mais. Em compensação, há um museu: o Museu José Elviro. O proprietário é João de Aquino da Silva... João, desde 1935, ... coleciona objetos, pedras, livros, manuscritos. Trabalhou como salineiro, depois como encarregado na parte de carpintaria e calafeto, na salina. Mas sempre continuou a colecionar e hoje tem três mil e tantas peças. Como é que esse homem, de chinelas nos pés e sempre pobre, conseguiu adquirir tanta sabedoria e um conceito tão certo do que é cultura espontânea? Se esse homem que, depois de duas horas de conversa, me tratava de irmão, o que não diria ao nosso mestre Rossini Tavares de Lima! São da mesma veia, lutando pela mesma causa. Nesse museu, os historiadores verão o sino da igreja submersa da Ilha Manoel Gonçalves. Quantas peças que dariam inveja ao nosso museu de folclore de São Paulo! João, três anos atrás, foi preso pelo delegado; chamado de palhaço e louco foi amarrado num poste na rua. O grande galpão de 10 por 30 que abriga esse acervo cultural foi lhe emprestado – ironia da história! – pela companhia holandesa que explora o sal de Macau! O dono do CIRNE será o único a reconhecer o valor do trabalho de João? Quem for a Macau não deixe de passar pelo museu José Elviro e de conversar com João de Aquino. Porém não tente tirar fotografia dele nem ligar o gravador que ele ficaria bravo!” |
do escritor Gilberto Freire de Melo sobre João de Aquino João de Aquino – Uma vida dedicada à Fé, ao Ideal e ao Amor.[p.58] da obra, Reportagens que ninguém escreveu, de Gilberto Freire de Melo ... As relíquias históricas cadastradas, catalogadas e arquivadas no Museu José Elviro não são apenas o resultado de um trabalho efêmero. É tudo quanto poderia desejar e de que não poderá jamais prescindir uma comunidade e um povo para o resguardo de sua história. Os objetos de uso pessoal e sacerdotal de Monsenhor Honório; os pelos de sua cabeça guardados em redoma de ouro; os resquícios memoráveis da Ilha de Manoel Gonçalves; os marcos iniciais da povoação, da colonização e da história de Macau, são registros apenas comparáveis às pirâmides do Egito, onde se guardaram, sem o risco do perecimento, as relíquias dos faraós. Para chegar ao que é hoje o Museu José Elviro, João de Aquino enfrentou, não apenas a incompreensão e o deboche da população, mas também vexames de ordem pessoal. Quando Macau não dispunha de maiores entidades culturais a apresentar, o museu era lembrado quando das visitas de excelências mais notáveis. João, que não perdoava os mal-estares passados, revidava contra o autoritarismo, sujeitando-se, às vezes, a ameaças de arrombamento das portas do museu e de prisão, quando entendia não abrir o seu santuário para visitantes levados por seus desafetos. E certa vez, chegando a Macau o Senhor Governador do Estado, foi levado ao museu pela mão do Prefeito local que ordenara, noutra oportunidade, a prisão de João de Aquino por não se dobrar à arrogância de administradores que em nada contribuíam para o museu, mas que o exibiam a visitantes. Chegando ao recinto o Governador, surpreendendo quem ali se encontrava, inclusive João que o recebeu com as atenções merecidas, porém sem deixar de perguntar quem o acompanhava no momento. O governador mencionou as pessoas da comitiva, inclusive o Prefeito Municipal que esperava na calçada, João de Aquino agradeceu e disse ao governador que o Prefeito não era bem-vindo àquele local. Então o governador pergunto: - - E se ele entrasse comigo? - - Sairiam os dois – respondeu João. O Museu de Macau é o fruto do ideal e do amor de João de Aquino, inexistente, na região, em gerações passadas e duvidoso de existir em futuro próximo. | | | | | | | | | |  |
Obra: GEOGRAFIA DA DOMINAÇÃO - Um estudo sobre a organização espacial da terra do sal [Macau-RN]; Dissertação de Mestrado/UFRN/2006, disponível em www.ppgau.ufrn.br/dissertaçoes/joaocj.pdf
MACAU, o Plano Diretor, a “patologia comunitária” e a “senzala dos seus escravos”
Na excelente Dissertação de Mestrado apresentada em 2006, com o título, Geografia da dominação – um estudo sobre a organização espacial da terra do sal [Macau-RN], o arquiteto João Batista Carmo Júnior levantou um ponto fundamental para compreender a formação da cidade – e nunca lembrado pelos que a discutem - - o fato de Macau ter sido sempre um apêndice da indústria salineira. Para Batista Carmo, “Em Macau, a luta pelas localizações tem início com a chegada, instalação e formação do seu principal e mais poderoso agente social: a indústria salineira. Em sua instalação, este agente escolheu não a cidade de Macau, mas a região onde está, acanhadamente, situada a cidade, tornando-se a detentora de grande parte de suas terras, inclusive,... da área onde está localizada a cidade de Macau”. Comprovamos tal fato quando nos deparamos com o Plano de Desenvolvimento Urbano de Macau, [Lei nº 499 de 1º de dezembro de 1977] que transformaria Macau numa cidade modelo. Esta lei nunca foi obedecida, ou seja, foi uma lei “que não colou”. No final da década de 70 Macau vivia o seu apogeu “de sonhos” após o inferno da década de 60 com a mecanização das salinas e do transporte do sal, que desempregara cerca de 6.000 trabalhadores. A expectativa da fábrica de barrilha que iria “devolver” os empregos das vitimas do progresso, as pesquisas da Petrobrás que indicavam gás e petróleo, a instalação de um campus da UFRN e de novas agências bancárias e órgãos públicos federais e estaduais, apontavam a cidade como o futuro pólo industrial do Estado. Foi nessa conjuntura que os macauenses receberam com entusiasmo o Plano de Desenvolvimento Urbano elaborado pelo escritório de Luiz Forte Netto, um conceituado arquiteto e urbanista, que tem no seu currículo a coordenação do Plano Diretor de Curitiba, projetos como o da Via Costeira em Natal e dezenas de Planos Diretores de grandes cidades do sul do país. As propostas do urbanista Luiz Forte Netto eram inovadoras, e em que pese um ou outro aspecto que refletia o período ditatorial da época e procedimentos que hoje podemos afirmar incorretos, no geral o Plano transformaria Macau numa cidade saudável.O Plano buscava equacionar os problemas de urbanização de Macau visando o crescimento harmônico e integrado de Macau e Macauzinho, com o “necessário... engajamento da comunidade” e a “formação de uma mentalidade de planejamento de desenvolvimento”. Criava a Zona de Amenidades na Ilha de Camapum para lazer e turismo e dividia a atual área urbana em Zona preferencialmente residencial e a Zona Comercial Principal e Institucional administrativa e a Área de Preservação Paisagística [área margeando o rio Açu]. O bairro de Macauzinho seria a área de expansão urbana com destinação residencial, industrial e de serviços. No sistema viário previa a interação entre a Zona de Amenidades, a cidade e Macauzinho, com a inclusão de vias exclusivas para pedestres com o fechamento de ruas para veículos, a construção de ciclovias e calçamento com paralelepípedos, condicionantes de velocidade dos veículos. Projetava um sistema de esgotos sanitários para Macau e Macauzinho com lagoas de oxidação e tratamento para que a água pudesse ser reutilizada de forma econômica; Reorganizava o espaço urbano com a melhoria das habitações, e aumentava o espaço público com “áreas verdes”, de recreação e lazer. Propunha formas cooperativas e associativas de produção [pesca e agricultura] e o desenvolvimento do setor industrial baseado nos produtos derivados do sal, da barrilha e gerado pelas águas-mães, com a participação acionária dos empregados para que “os resultados da produção permanecessem na área onde foram gerados”. Destacava a necessidade de uma “educação contínua intensiva de higiene e de saúde, de orientação comunitária, de direção para o trabalho,...”. Na área da saúde, a criação de um Serviço de Visitadores Domiciliares. No geral as propostas de mudanças buscavam melhorar o nível de aspiração da população, promovendo o emprego, a renda e a assistência social. Após levantamento dos dados para a elaboração do Plano, a equipe de Luiz Forte Netto concluiu que “O que emerge é o fato de que embora naquele município seja gerado um grande volume de riqueza, esta não cria condições de bem-estar para a sua população no nível que seria de se esperar”; “Da análise das aspirações dos habitantes de Macau, quer as pessoais ou familiares, quer as que diziam respeito à habitação, ao bairro ou à cidade, vimos que, em número considerável de vezes, simplesmente não há aspirações. Há na cidade uma “patologia comunitária”. E de nada adiantou a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Urbano tão avançado, pois a cidade continuou com o seu atraso secular e nem as leis que dispunham sobre a melhoria ambiental da cidade, inclusive municipais, foram obedecidas, como o Código de Postura [Lei nº 576, de 31/12/1984] - - que no seu artigo 30 proibia dentre outras coisas, o escoamento de águas servidas para a rua e o aterramento de vias públicas com lixo, fatos que ocorrem até hoje, em que pese o fato da cidade já ter sua rede de esgotos e uma sentença judicial determinando que não se aterre manguezais com lixo. A Constituição Federal de 1988 dispôs sobre o desenvolvimento urbano [artigo 182] a ser executado pelo Poder Público municipal, de acordo com as “diretrizes gerais fixadas em lei” e tem “por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes”. E estabeleceu um novo paradigma com relação à função social da propriedade, cujo direito individual é garantido desde que estejam em consonância com os direitos da coletividade. A Lei 10.257/2001 [Estatuto da Cidade] aprovada em 10/07/2001 regulamentou o artigo 182 da Constituição, traçando as diretrizes gerais para o ordenamento urbano, procurando corrigir os erros – em especial os que causavam danos ambientais - - cometidos pelas gerações passadas e destacando a função social da propriedade e estabelecia o prazo de cinco anos para que a concretização do Plano. No caso de Macau, como o município já possuía a lei, aprovada desde 1977, apesar de nunca tê-la cumprida, criou-se uma situação no mínimo esdrúxula, pois a Lei 499/77 não estabelecia prazo para sua revisão e sendo assim, ficou nas mãos do Executivo e do Legislativo macauense a incumbência de fazer cumprir a lei e propor a sua revisão. Em março de 2004 um grupo de cidadãos promoveu uma Ação Popular [nº 105.04.000449-3], contra o Município e a Câmara Municipal de Macau para que fosse revisada a Lei 499/77, “ajustando seu texto de conformidade com os ditames da lei federal 10.257/01” e justificando que “Não fosse a obrigatoriedade do uso da técnica processual nas demandas judiciais, desnecessário seria a contestação ora apresentada porque o objetivo desta ação é assegurar um direito de todos tornando assim vencedores os demandantes e também os demandados”. Considerando que a dinâmica urbana exige a revisão periódica das normas e que o Plano Plurianual e as leis orçamentárias devem estar em consonância com o Plano Diretor, nós ficamos sem entender como é que dois filhos de Macau, o médico José Antonio Menezes de Souza, o prefeito à época e o engenheiro Haroldo Martins de Andrade, o presidente da Câmara Municipal, preferiram a contenda jurídica ao invés de promover a revisão da Lei 499/77 ou aplicá-la efetivamente.
Em julho de 2006, a Prefeitura de Macau informou que iria implantar o plano diretor que estaria concluído até outubro, cuja discussão contaria com representantes da sociedade civil, através de audiências públicas. Se as audiências foram ou não realizadas não sabemos, pois não houve publicidade conforme determina a Lei 10.257/2001. Tudo que se relacione à Prefeitura de Macau deveria estar no seu site oficial, à disposição da população. E o Plano Diretor Participativo não foi aprovado até hoje. Como não há direito adquirido em poluir e também o fato de que as normas de ordem pública devem ser observadas imediatamente após a sua entrada em vigor, para não ferir os direitos difusos, ficamos perplexos com a confirmação agora em janeiro de 2008 pelo Tribunal de Justiça do RN da sentença do Juiz da Comarca de Macau entendendo que o pedido de revisão da Lei 499/77 [pedido da Ação Popular nº 105.04.000449-3] não deveria prosperar “visto que não verificou qualquer omissão legislativa por parte dos requeridos”. Penso que sobrou tecnicismo e faltou sensibilidade e doutrina aos nossos tribunos. Sempre me preocupou a postura passiva do poder público municipal de Macau, aceitando dos governos estadual e federal “soluções de problemas” que se mostraram claramente prejudiciais à cidade. Isso vem transformando Macau numa cidade do improviso e não do definitivo. Preocupa também o fato de que este mesmo poder público só obedeça as leis quando tangidos ou pelo povo através de ações na justiça ou pelo Ministério Público. Foi assim no caso do lixão do Maruim e está sendo assim no caso do Plano Diretor. É importante verificar as conclusões do arquiteto João Batista Carmo Júnior para entendermos o porque do não cumprimento da Lei 499/77. Diz ele que “Macau até os dias de hoje, constitui-se numa cidade eminentemente operária e sua serventia para indústria salineira é nada mais nada menos do que ser a senzala dos seus escravos”. Com o advento da Lei 499/77, grandes áreas das empresas salineiras que não cumprem a função social, poderiam ser destinadas à habitação e aos empreendimentos agro-industriais cooperativos e associativos, conforme determina a lei. As demais medidas previstas nas áreas de saúde, educação e motivacional poderiam levar à conscientização da população que deve assumir o seu papel de protagonista e não de mera expectadora. Só assim é possível superar a “patologia comunitária”, detectada em 1977 e que ainda persiste em Macau. Tudo isso bate de frente com os interesses da indústria salineira que pretende manter sem alterações a sua “senzala”. Em Macau, o interesse privado continua se sobrepondo ao interesse público. E o que é pior, com o beneplácito das autoridades. Claudio Guerra, publicado na Folha de Macau em maio de 2008 | | | | | | |
Obra: Teoria Social Pós-Moderna – Introdução crítica; Autor: João Emanuel Evangelista; Editora Sulina; 2007; Porto Alegre. Outras obras: Crise do Marxismo e Irracionalismo Pós-moderno [1992]; Tear de homens - relações de poder em fábricas têxteis [2000]
Prefácio[excerto] pelo Doutor Celso Frederico, da USP "Não é novidade, para um país da periferia do capitalismo, a discussão sobre o caráter problemático da assimilação de idéias gestadas nos centros dominantes. A questão central é saber como as idéias são assimiladas. E aí, estende-se um amplo leque que abrange desde os simples modismos, com os quais os provincianos deslumbrados pretendem estar no up to date, até a reelaboração engenhosa que faz as idéias passarem por um processo de aclimatação para dar conta da particularidade do “caso brasileiro”. O que dizer de uma corrente de idéias contemporâneas, conhecida pelo nome de pós-modernismo? O novo livro de João Emanuel Evangelista procurou dar contas das vicissitudes dessa nova importação. Trata-se de um longa pesquisa que procurou rastrear, passo a passo, a chegada das idéias modernistas em nosso país. Inicialmente, sob a forma de tese acadêmica defendida na ECA-USP, a pesquisa centrava-se nos cadernos culturais de nossa imprensa, especialmente da Folha de S.Paulo. Cada artigo publicado foi reproduzido e comentado pelo olhar atento de João Emanuel Evangelista. O longo material coletado, finalmente, ganhou uma nova versão, mais enxuta, que o leitor, agora, tem em mãos.”
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V Festival Macauense de Poesia; 16 poetas e 30 poesias; Edição Independente, Macau, 1993
Apresentação “Macau, 26 de julho de 1986, Manassés Campos, Presidente do Grêmio Estudantil Amarildo Bezerra de Morais – Gestão “Construção” – plantou a semente, realizou na Praça da Conceição o 1º Festival Macauense de Poesia. Lembro-me que na época, apesar da importância do evento, a organização do Festival, por falta de recursos materiais, não teve condições de imprimir cartazes, camisetas, faixas, etc., mesmo assim podemos afirmar que o evento obteve grande sucesso de participação e público. Foram inscritas 25 poesias e 15 poetas foram classificados para a final de Festival. Em julho de 1988, Waldick Melo dos Santos – Presidente do Grêmio – Gestão “Vontades e Consciências” e Vice-Presidente da AMES – Associação Macauense dos Estudantes Secundaristas, toma iniciativa e prossegue na idéia de valorizar a Cultura de Macau, realizando três Festivais consecutivos. Aparentemente, a época mais favorável, no entanto, as dificuldades foram as mesmas, mas a organização do Festival contou com a colaboração da população e conseguiu cartazes, anúncios, premiação, fotografias, camisetas, etc., sendo todos os esforços coroados de êxitos, porque, todavia, aumentou a participação dos poetas e do público. Em 1º de Maio de 1993, a Direção do jornal “Volante Operário” realizou na rua Marechal Deodoro o V Festival Macauense de Poesia. Apesar do descaso do município, o evento obteve êxito merecido, classificando e apresentando ao público presente 30 poesias, 16 poetas e mais show de MPB com cantores e compositores e músicos instrumentistas da cidade. Sempre sonhávamos em registrar, por escrito, um pouco da história dos Festivais de Poesia que foram realizados em Macau, e nunca era possível, não passava na CENSURA ECONÔMICA, mas agora conseguimos fazer com muito esforço esse humilde trabalho. Para nós é demais significativo poder participar da História, não apenas como espectador, e sim, como autor do nosso próprio destino. Dedicamos todo nosso esforço às gerações futuras que, com certeza vão poder viver e usufruir da mais extensa liberdade de expressão, para, quando desejarem dizer poesia na rua, serem ouvidos com respeito, igualdade e alegria. João Eudes Gomes, setembro de 1993.

VI Festival Macauense de Poesia; 38 poetas e 69 poesias;Edição Independente, Macau[RN], 1994.
Apresentação 1994, foi um ano de muita importância para a luta de valorização e difusão da cultura na nossa região salineira, sob a responsabilidade do jornal “Volante Operário”, nasceu a idéia do Projeto Arte na Praça, cujo objetivo principal é valorizar, incentivar, difundir e apoiar o surgimento de novos valores culturais no Rio Grande do Norte. Partimos do seguinte princípio já que não podemos salvar os talentos abortados diariamente pela truculência material do Capitalismo Oligopolista, expresso de forma mais sintética no Alto índice de Mortalidade Infantil, desprezo e abandono dos adolescentes, exclusão dos adultos e idosos, que formam em conjunto a nossa grande fonte de criatividade de povo mais alegre e contente no planeta terra, pelo menos tentemos apoiar a sua ARTE, é como diz um adágio popular: “morrem os artistas [somos todos nós] mais fica a fama registrada na Literatura, nos espetáculos de Teatro de Rua, nas performances dos Poetas, nas aventuras do Capitão João Redondo [calunga], nos saltos mágicos do Bumba-Meu-Boi, nos improvisos dos Violeiros, nos repentes dos Emboladores de Côco, nos risos dos animadores do Pastoril, na ginga dos bailarinos da capoeira, do Maracatu, do Fandango, do Reisado, da Chegança, no talento dos Pintores, nos acordes da Musica Popular Brasileira”. Nesse contexto se insere o VI Festival Macauense de Poesia, que registra para o público esse simples trabalho contendo setenta e um poemas de autoria de trinta e oito poetas Norteriograndenses. Vale salientar que Festival de Poesia não possui caráter de concorrência, e sim de estimular a participação, partindo desse pressuposto eis registrado o nosso esforço contra todos os obstáculos, é a nossa batalha incansável para transformar Macau-RN, no território livre da cultura, nada mais gratificante para um artista do que o reconhecimento afetuoso da população, quanto ao valor literário do que está escrito nos remetemos ao grande e talentoso compositor brasileiro Chico Buarque de Holanda, que em relação aos Poetas afirmou: “mesmo que os poetas sejam pobres, os seus versos serão bons, pois saibam que os poetas como os cegos podem ver na escuridão”... João Eudes Gomes, dezembro de 1994 | |  | Obra: Documentos Potiguares - vol. 16, José Augusto Bezerra de Medeiros, editor Leonardo Heydmann Barata, 1984. Fundação José Augusto, Natal [RN], 1984.
Nos idos de 1924 - Mensagem do Governador José Augusto - Congresso Legislativo - 01/11/1924 “Sal – Da importância do sal na economia geral do Rio Grande do Norte não é preciso falar. Sabemos que as nossas salinas são das maiores do mundo, e que o produto por elas fornecido é rico em cloreto de sódio, conforme atestam as analises químicas até agora procedidas. O quadro seguinte demonstra o número de salinas que possui o Rio Grande do Norte e a área por elas ocupada:
Salinas construídas em funcionamento:
Municípios | Nº de salinas | Nº de baldes | Área ocupada pelos mesmos (área de cristalização) | Macau | 15 | 594 | 1.242.252 mqs | Mossoró | 10 | 391 | 1.141.012 mqs | Areia Branca | 14 | 349 | 840.070 mqs | Canguaretama | 6 | 118 | 158.864 mqs | São Gonçalo | 4 | 57 | 88.737 mqs | Açu | 1 | 14 | 33.600 mqs | Total | 50 | 1.523 | 3.504.535 |
Salinas em construção:
Municípios | Nº de salinas | Nº de baldes | Área ocupada pelos mesmos (área de cristalização) | Mossoró | 1 | 100 | 225.000 mqs | Macau | 2 | 89 | 182.400 mqs | Areia Branca | 3 | 31 | 71.080 mqs | Canguaretama | 1 | 10 | 11.200 mqs | Total | 7 | 230 | 489.680 |
Conforme se vê, há no Estado 50 salinas construídas e em funcionamento, contando 1.543 baldes ou cristalizadores que ocupam uma área de 3.504.535 metros quadrados, e sete salinas em construção com 230 cristalizadores, ocupando uma área de 489.680 metros quadrados. Estas salinas são distribuídas por seis municípios, ocupando o primeiro lugar o de Macau, e o último o de Açu, com uma única salina. Com tais elementos deveríamos dominar inteiramente no fornecimento do sal pelo menos todo o mercado interno do Brasil, o que infelizmente ainda não sucede, em parte por dificuldades do transporte e, em parte, força é confessá-lo, porque o nosso sal se apresenta muitas vezes com uma considerável percentagem de cloreto de magnésio, que o torna indesejável para a aplicação na indústria do charque. Os esforços do governo do Estado estão sendo empregados, com o maior carinho, no afastamento daquelas duas grandes barreiras. Junto às empresas de transporte tenho me empenhado, e continuarei a fazê-lo cada vez mais, para que reduzam os fretes cobrados pela condução daquele nosso produto, que os não suporta senão baixos e reduzidos. Quanto à melhoria do sal, que pode e deve ser conseguida no momento mesmo do seu fabrico, comissionei o nosso conterrâneo, químico-industrial Raul Caldas, com estudos especiais sobre a matéria, para examinar a questão com vagar e, em colaboração com os diretamente interessados na solução do caso, sugerir os meios conducentes àquela finalidade. Dos estudos até agora feitos pelo químico Raul Caldas resulta a convicção em que ele está de que poderemos em breve produzir sal em condições de afastar totalmente, pela excelência de sua qualidade, o similar estrangeiro. O Dr. Raul Caldas reputa indispensável a criação do serviço do sal, compreendendo: 1) o registro das salinas, para o qual cada salineiro enviará uma planta da sua propriedade; 2) uma salina-modelo, onde se fabricará o sal por processo racional e onde se prepararão feitores capazes; 3) a fiscalização sobre a exportação, estabelecendo-se os tipos de sal de acordo com as necessidades dos respectivos mercados e fins a que é destinado o produto. O Serviço do sal, conhecendo todas as salinas pelos respectivos registros, indicará ao salineiro as modificações úteis a introduzir em suas propriedades. Além das demonstrações práticas feitas na salina-modelo aos seus alunos, as quais serão franqueadas a todos os interessados, o Serviço fará distribuir folhetos escritos em linguagem ao alcance de todos sobre os métodos racionais relativos à indústria e procurará dar uma organização sistemática à exploração das salinas, introduzindo aos poucos um sistema de real valor, como seja, por exemplo, o sistema Taylor. Diz o Dr. Raul Caldas que as pesquisas já feitas demonstram que não há constância na composição do produto das diversas salinas, havendo até numa mesma salina tipos de sal tão diversos como se tivessem origem em regiões completamente diferentes. Assim é que se encontram produtos de salinas vizinhas, e até de uma mesma salina, contendo mais de um por cento de cloreto de magnésio e quase um por cento de sulfato de magnésio e outros com os mesmos sais em proporções muito menores e (isto muito raramente) apenas com traços destes dois compostos. Isto indica que estes produtos de uma mesma região apenas não procedem de condições idênticas, o que quer dizer que devemos unificar os processos conforme as condições naturais que nos são dadas e que para nós são as melhores que se podem encontrar na face da terra. Cumpro aqui o dever de assinalar a importância dos serviços que vem prestando à industria do sal de nosso Estado o nosso conterrâneo professor Manoel Tavares Guerreiro, que, residindo atualmente no Mato Grosso, tem feito uma constante e tenaz propaganda do nosso produto por meio os mais inteligentes e eficazes, muito concorrendo para acreditá-lo e conceituá-lo naquele grande centro de consumo. - Na minha recente visita aos Municípios de Areia Branca e Mossoró, tive a satisfação de lanças os fundamentos de uma salina-modelo, em terreno cedido pelos adiantados salineiros, os irmãos Oliveira, e de acordo com os planos traçados pelo Sr. Dr. Raul Caldas”. | | |
|  | Obra: Barro Blanco; Autor: José Mauro de Vasconcelos[1920-1984]; Edições Melhoramentos;1977; São Paulo Do autor: Explicação: A antiga cidade de Macau ficava numa ilha chamada Manuel Gonçalves. Em 1825, essa ilha começou a afundar. Transportaram a cidade para o litoral, onde se encontra até hoje. Por mais estranho que pareça, hoje a ilha está ressurgindo... Esse romance é a história dessa ilha, da seca, do sal e de outras grandes misérias do Rio Grande do Norte.
Outras obras do autor: Banana Brava[1942]; Barro Blanco [1948]; Longe da Terra [1949]; Vazante [1951]; Arara Vermelha [1953]; Arraia de Fogo [1955]; Rosinha, minha canoa [1962]; Doidão [1963]; O Garanhão das Praias [1964]; Coração de Vidro [1964]; As Confissões de Frei Abóbora [1966]; Meu Pé de Laranja Lima [1968]; Rua Descalça [1969]; O Palácio Japonês [1969]; Farinha Órfã [1970]; Chuva Crioula [1972]; O Veleiro de Cristal [1973]; Vamos Aquecer o Sol [1974]; A Ceia [1975]; O Menino Invisível [1978]; Kuryala: Capitão e Carajá [1979]. Na web há 207.000 indicações para José Mauro de Vasconcelos. Para ler Barro Blanco na web, acesse: http://ebooksgratis.com.br/livros-ebooks-gratis/literatura-nacional/infanto-juvenil-barro-blanco-jose-mauro-de-vasconcelos-ilustrado/. No site www.estantevirtual.com.br, que reúne os sebos do Brasil de norte a sul, existe grande oferta do livro por preço acessível. | | | | | | Obra: 25 anos depois; autor: Padre João Penha; Edição do Autor; Gráfica Nordeste; Macau[RN], 1983. Leia em textos: Sempre servir [sobre a ação dos escoteiros de Macau]
Apresentação
Depois de 25 anos de lutas, resolvemos fazer um retrospecto para revivermos muitas emoções e sentirmos a presença de muitas amizades sinceras. Queremos reviver aqueles momentos felizes de uma vida sacerdotal totalmente voltada para o povo, compensada pela sinceridade de uma amizade sadiamente vivida. Alegrias, vitórias, decepções, tudo alegremente sentido em comunhão com o entusiasmo sadio de uma juventude idealista. São nomes que jamais se apagarão de minha memória: Carlinhos, Caxias, Salete Coutinho, Neuma, Ligia Sá, Dita, Daurita, Ivanaldo, Mércia, Milton, Vilma Pinheiro, Manolo, Masinho, Arimatéa, Dineusa, Edward, Vilma Rejane, Zé Pinheiro, Juninho, Edinho Coutinho, Kidinho, Luizinha, Celeste, Regina, Edinho Dantas, Vera, Sila, Magale e tantos e tantos que formaram a primeira linha dos nossos colaboradores dentro do sentido de uma verdadeira amizade, e de uma fraternidade cristãmente realizada. 25 anos que para mi é vida, paraíso, felicidade. A todos vocês que sempre continuam sendo as meninas e os meninos do Padre. Jovens idealistas de sorriso meigo e pureza de intenções, minha eterna gratidão. Padre Penha | | |
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| | O povo e o Bicho[em cordel] . Projeto Moinho Velho. A "Peleja de Recado: de João de Calais com João Vicente". Autor: João Vicente Guimarães. Macau. 1997. Edição Independente; Outras obras do autor: Olhos Ateus [poesia/1998].
O POETA E O ARTRÓPODE
Perseguir poetas?! Ora bolas! Só faltava essa aqui em Macau. O poeta João Vicente ser processado em razão de um reles inseto! Tudo começou com a publicação do cordel “O povo e o bicho”, pequena obra de arte na forma de peleja de recado entre João de Calais e João Vicente. O motivo da querela é o verso: “A colheita só vai ser garantida se tirar o bicudo do algodão.” Verso de reconhecida verdade para todos aqueles que conhecem o estrago que o bicudo provoca em todas as lavouras que penetra, principalmente se for de algodão doce. Pois bem, com esse singelo e verídico verso o nosso amigo João Vicente, artista de reconhecida sensibilidade seja na pena ou no pincel deve enfrentar o tribunal, pois houve quem viu nisso um ataque, uma ofensa, uma desfeita, uma crítica pessoal. Besteiras! Afinal, quem é o poeta? “O poeta é um fingidor, Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente.” É o que diz o poeta maior “da última flor de Lácio, inculta e bela”, Fernando Pessoa. Mas também não teria graça nenhuma se o poeta poetasse apenas por poetar, pois o poeta é também “aquele homem que se apropria dessas sensações do cotidiano, das paixões humanas e elabora a partir desses elementos, uma nova percepção do mundo em que se encontram.”, é o que diz a professora Rosário Guerra.
E é por isso que o poeta vira e mexe encontra “uma pedra no meio do caminho”, quando não uma pedrada na cabeça. O primeiro entrevero envolvendo um poeta que se tem notícia aqui na terra das salinas ocorreu na década de 50 entre o Cabo Porfírio e o poeta chamado Zé da Maraca, que bebiam na zona do meretrício. Tudo por conta de uns versos bocagianos que o poeta arrematou um desafio: Nasce uma puta sem brio Seculada de veneta Esta mulher anda no cio Meia arroba de pavio pega as jangadas no sul Eu não perco meu trabalho Na praia de Muriú Devolvo este caralho e meta no seu cú!" O cabo, humilhado por perder o desafio, valeu-se da farda e surrou Zé da Maraca em plena Coréia! Mas outros grandes poetas também sofreram ataques, censuras, exílios por conta de suas sensibilidades e verdades.
Vejam o que diz o humanista André de Resende de um outro Vicente, o Gil no Portugal quinhentista: “Vicente, autor e também ator, eloqüente e muito hábil em dizer verdades entre gracejos; Vicente, habituado a censurar maus costumes entre leves gracejos.” Pois é, assim era Gil Vicente, o grande trovador português que nos legou riquíssima produção literária e que sentia-se amargurado pelas perseguições às suas obras, pois “tudo o que diz é real, concreto, presente, relacionado com fatos que todos vêem ou conhecem.” Mas outros poetas também padeceram da ira insana de poderosos que buscavam calar, abafar, censurar, impedir o parto de criações formidáveis, matar a veia poética em delirante cio. Gregório de Matos Guerra foi um desses poetas massacrados. Nascido na Bahia em 1623, sua produção literária foi densa, lúcida e reveladora e por isso mesmo desagradável aos donos do poder. “Furte, coma, beba, e tenha amiga, Porque o nome d’El-Rei dá para tudo A todos, que El-Rei trazem na barriga.” “O Demo a viver se exponha, por mais que a fama a exalta, Numa cidade, onde falta Verdade, Honra, Vergonha.” “Pelo crime de sua poesia” Gregório foi perseguido e mandado para o exílio na África. E o que dizer de Bocage ( 1765-1805) o mais maldito dos poetas malditos que foi deportado para Macau, a outra, a da China: “Cara de réu com fumos de juiz, figura de presépio ou de entremez. Mal haja quem te sofre ou quem te fez; Já que mordeste as décimas que eu fiz.” “Refalsado animal, das trevas sócio, Depõe, não vistas de cordeiro a pele! Da razão, da moral o tom que arrogas, Jamais purificou teus lábios torpes, Torpes do lodaçal, donde zunindo (Nuvens de insetos vis) te sobem trovas À mente erma de idéias, nua de arte.” Pois é João Vicente, já começo a sentir uma pontinha de inveja ao ver que você está em tão grandes e sábias companhias. E o artrópode? Ah! já ia me esquecendo. O artrópode é um inseto!
Claudio Guerra. Texto publicado na Folha de Macau em agosto de 1997. |
| | | Autor: José Vieira [Zé Vieira]; Obras: em cordel: A história de Macau e suas salinas [1967] |
| | Autora: Linda; Obras: O olhar do Amor [2000] | | | | |
| | |  | Obra: A Imprensa Periódica no Rio Grande do Norte – de 1832 a 1908; Autor: Luiz Fernandes; Co-Edição da Fundação José Augusto e do Sebo Vermelho, 1998; Natal[RN] CDD 079 8132. Introdução do poeta e escritor Anchieta Fernandes [excerto] ... Intitulado ‘A Imprensa Periódica no Rio Grande do Norte – 1832-1908 – Dados históricos e Bibliográficos’, o trabalho de Luiz Fernandes foi publicado em 1ª edição em 1908, em livro, pela tipografia do jornal ‘A República’, como a contribuição do nosso Estado para a exposição comemorativa do primeiro centenário do aparecimento da imprensa no Brasil ... Na verdade antes de Luiz Fernandes, o Dr. Alfredo de Carvalho já publicara na ‘Revista do Rio Grande do Norte [no nº 9, se setembro de 1898] um catálogo de jornais norte-riograndense de 1832 a 1989. O que diferencia o trabalho do Dr. Alfredo de Carvalho do de Luiz Fernandes é que este comenta, dá o tom literário ensaístico... Em 1910, a partir do nº 1 do volume VI da ‘Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte’, Luiz Fernandes começou a publicar nova edição do seu estudo histórico sobre a nossa imprensa, acrescentando mais 15 publicações [entre jornais, revistas, boletins e poliantéias] às 261 que registrara em 1908, totalizando 276 exemplos de jornalismo em Natal, Assu, Mossoró, Macau, Ceará-Mirim ... Nas folhas 138/139 registra os jornais macauenses, em número de oito. O primeiro, em 1886, O Macauense. | | | | Autor: Luiz Fernandes de Oliveira; obras: Encontros com o Mestre [1991] | | | | | | | |
|  | Obra: Pequena História do Integralismo no RN; Autor: Luiz Gonzaga Cortez; Co-Edição Clima e Fundação José Augusto; 1986; Natal[RN].
[p. 13] Quando literatura inicia política ‘Quem não era contra o comunismo era comunista e inimigo das instituições’. Declaração do general Newton Cavalcanti, referindo-se ao período da ditadura fascista de Getúlio Vargas. O Integralismo foi um movimento liderado pelo escritor paulista Plínio Salgado, um dos participantes da Semana da Arte Moderna de 1922, acontecimento de grande importância na transformação da literatura brasileira. A semana gerou duas tendências, a primitivista-antropogágica, liderado por Oswald de Andrade e o verde-amarelo, do qual participava Plínio Salgado, Graça Aranha e Tasso da Silveira. O grupo verde-amarelo rachou e Plínio formou o grupo Anta, que pretendia aprofundar os estudos dos problemas brasileiros. Guerrilha de salineiro durou 2 anos [p.49 a 54] fala sobre o movimento guerrilheiro em 1934/1936 na região salineira - - entre Mossoró e Macau, centrado no Vale do Assu – comandada por Manoel Torquato. Há duas obras importantes sobre o tema, uma do escritor Gilberto Freire de Melo[Manoel Torquato, herói ou vilão?] e outra da professora Brasília Carlos Ferreira [Sindicato do Garrancho]. | | |
| Autor: Luiz Gonzaga da Silva; Obras: História de Macau e seus dirigentes - 1935-2000 [2001] | | | | Autor: Luiz Xavier; Obras: Oásis de meu deserto [1996] | | | | | | |
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