O baú de Macau
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Autor: Manoel Dantas; Obra: Denominação dos Municípios [Rio Grande do Norte]; Publicação de 1922; Edição fac-símile do Sebo Vermelho; Natal; 2008.  

p. 20: “Há um nome que lembra uma approximação quasi inverosimil entre portos muito distantes que não sabemos como explicar, fora de uma coincidência caprichosa. Macao é um nome de origem chineza e lembra a possessão portugueza no Extremo Oriente, que só tem de commum com o grande município salineiro a situação á beira mar[19]”  

“[19] Foi fundado pelos navegantes portuguezes. Ignora-se a data da fundação da matriz da freguezia de S. José dos Angicos, sendo desmembrada desta pela Lei Prov. De 19 de Agosto de 1834, Villa, por Lei Prov. De 2 de outubro de 1847, em conseqüência de ser para ella transferida a sede do município de Angicos, foi elevada á cidade pela Lei Prov. de 9 de Setembro de 1875. A comarca foi criada pela Lei Prov. de 14 de dezembro de 1871.               Tem 10 Escolas municipaes e 8 escola particulares, todas de ensino primario”.

Sobre a origem do nome Macau que o autor levanta dúvidas, é interessante ler “Um Rio Grande e Macau – Cronologia da História Geral”, de Getúlio Moura, que oferece uma nova versão sobre o fato, ligando o nome Macau à “Arara Macau”, ave bastante comum no nordeste brasileiro.

Na obra: O “Thierbuch” e a “Autobiografia” de Zacharias Wagener; RJ; Ed. Index; 1997 há um desenho da Arara Macao.

 

Obra:A história do mecânico que sumiu em Urucu – Literatura de cordel; Autor: Manoel do Nascimento Prazeres nasceu em Areia [PB] e reside em Macau[RN]; Edição do Autor, 2006, Macau.

   Observação do autor: "Esta é uma história verídica que aconteceu na noite do dia 8 para o dia 9 de abril de 1999 na área da Petrobrás em Porto Urucu na Amazônia".  

É muito triste essa história

Porque de alguém marca um fim,

Trágico pelas conseqüências

Que marcaram e enfim

Pelo respeito e estima

Que ele tinha por mim.

 
 

Obra: Dicionário da Imprensa no Rio Grande do Norte [1909-1987]; Autor: Manoel Rodrigues de Melo [1912-1996]; Co-edição Cortez Editora, São Paulo e Fundação José Augusto, Natal, 1987; ISBN 85 249 0109 8.  

O verbete sobre a imprensa em Macau vai da página 59 até a página 86, onde são enumerados por ordem alfabética os jornais e revistas de Macau no período de 1909 a 1987. Foi um trabalho minucioso e uma garimpagem fantástica. O mestre Manoel Rodrigues de Melo aponta as datas, a forma de circulação, a tendência, os nomes dos redatores, diretores, articulistas, colaboradores, etc; o preço do exemplar ou da assinatura. É uma obra indispensável para pesquisadores. 

 Terras de Camundá - Romance; Autor: Manoel Rodrigues de Melo; Editora Pongetti; 1972; Rio de Janeiro. Outras obras: Várzea do Açú[1939]; Patriarcas & Carreiros[1944, 2ª ed. 1985]; Cincoentenário [Poliantéia][1945]; Bodas de Ouro da Ordenação Sacerdotal do Monsenhor Honório [1952];  Cavalo de Pau[1953]; Dicionário da Imprensa do Rio Grande do Norte [1909-1987] [1987] 
 

Excerto da orelha do livro por Helio Galvão

         “A obra intelectual de Manoel Rodrigues de Melo é toda ela um esforço de ajuntar o que estava disperso, de apanhar fragmentos e recompor o conjunto. Se escreveu sobre a ‘Várzea do Açu’, é aquele material formidável que reuniu: da geografia humana à ecologia regional dos tipos e figuras que desapareciam na voragem do tempo às descrições das cenas e paisagens, como o ‘desilhamento’ do gado, encurralado nos ‘altos’ ainda não cobertos pelas águas. Se escreveu ‘Cavalo de Pau’, foi ainda nessa perspectiva regional e coletora de material que em outras mãos não produziria nada. Se escreveu sobre os patriarcas e sobre os carreiros, num ensaio denso e precursor, foi para valorizar as lideranças ancestrais sertanejas e submeter a uma análise sociológica ainda não tentada um instrumento de expansão da riqueza agrária, da circulação e do transporte, associado ao tipo humano que com ele se identificou, homem, instrumento e bichos, todos juntos, numa admirável simbiose e na identificação profissional mais completa.O carreiro seria mais tarde substituído pelo chofer de caminhão”.

                                                                                        

Obra: O Território do Sal - A exploração do sal marinho e a produção do espaço geográfico no Rio Grande do Norte; Autor: Manuel Correia de Andrade; Coleção Humanas Letras; Coleção Mossoroense; Volume 848; Natal, 1995; UFRN, CCHLA.
 
 
 
 

Obra: Os Homens do Sal no Brasil; autor: Marcel Jules Thiéblot;  SCCT, Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, São Paulo, 1979, Coleção Folclore nº 16; p. 72 a 74.

“Macau

           O segundo ponto de observação foi Macau. Macau! O nome soava no meu ouvido como um encanto de praias brancas de sal. Sabia que Macau produz a metade do sal de todo o Rio Grande do Norte: mais de 110.000 toneladas; ... 

            Em 12 de novembro de 1936, “A República” de Natal fala da ‘elegância e da nobreza de Macau, hospitaleira e progressista, em contato direto com o Rio e outras capitais do sul, devido ao intenso comércio do sal das suas imensas e belas salinas’. [1] Macau chegou a possuir o seu teatro Guarani! 

            Descendo do ônibus, após uma viagem por caminho de terra, vi que eu estava bastante enganado. Do sal, só se vê o monumento ao salineiro, isto é, uma praça que representa em miniatura uma salina e seus chocadores e baldes, as rumas de sal e os serrotes de cimento pintados de branco.  Macau ... é uma cidade parada, à beira do Rio Açu, cheio de lodo à maré baixa, sem praia, com velhos casarões coloniais desmoronando. 

            O bairro do Porto é caracterizado por suas casas de taipa, com telhados de telhas redondas muito baixos, apertados uns contra os outros. ... O bairro está sem água, como o resto da cidade. Macau não tem água. Antigamente tinha um poço de água doce; mas um dono de salina, um dia, comprou da Prefeitura uma área vizinha da aglomeração para ampliar seus reservatórios. Conseqüência: o lençol de água ficou contaminado pelo sal e impróprio ao consumo. Agora a água chega de caminhões e a prefeitura vende a água. O dia todo, mais de manhã sobretudo, homens e rapazes vão e vêm pelas ruas, apressados e encurvados, carregando no ombro o calão d´água para casa: são duas latas de querosene penduradas de um pau atravessado no ombro. ‘Areia Branca e Macau está tudo morto’, me disse um velho salineiro. Teatro, não tem mais. Em compensação, há um museu: o Museu José Elviro. O proprietário é João de Aquino da Silva...  João, desde 1935, ... coleciona objetos, pedras, livros, manuscritos. Trabalhou como salineiro, depois como encarregado na parte de carpintaria e calafeto, na salina. Mas sempre continuou a colecionar e hoje tem três mil e tantas peças. Como é que esse homem, de chinelas nos pés e sempre pobre, conseguiu adquirir tanta sabedoria e um conceito tão certo do que é cultura espontânea? Se esse homem que, depois de duas horas de conversa, me tratava de irmão, o que não diria ao nosso mestre Rossini Tavares de Lima! São da mesma veia, lutando pela mesma causa. Nesse museu, os historiadores verão o sino da igreja submersa da Ilha Manoel Gonçalves. Quantas peças que dariam inveja ao nosso museu de folclore de São Paulo! João, três anos atrás, foi preso pelo delegado; chamado de palhaço e louco foi amarrado num poste na rua. O grande galpão de 10 por 30 que abriga esse acervo cultural foi lhe emprestado – ironia da história! – pela companhia holandesa que explora o sal de Macau! O dono do CIRNE será o único a reconhecer o valor do trabalho de João? Quem for a Macau não deixe de passar pelo museu José Elviro e de conversar com João de Aquino. Porém não tente tirar fotografia dele nem ligar o gravador que ele ficaria bravo!”

 
autor: Marcelo Melo; obra: Viagem ao EU [1988] obs: estamos procurando este livro.
 
Autora: Marcia Maria Lemos de Sousa: Obra: A política econômica salineira e o Rio Grande do Norte: 1965-1974; 108 f. Dissertação de Mestrado em História PUC SP, 1988.
 
 
Autor: Marcio Maia; obras: O Destemido Ben e as Tarefas do Terror[1996]; A Traiçoeira face do Mal[1997]; O Preço de uma promessa[2001]. 
 
 

Obra: Igreja e Política no RN;Autore[a]s: Marlúcia Paiva: A Igreja dos Anos 50: O Movimento de Natal;  Dalcy da Silva Cruz: Igreja Católica no RN – Participação Política e Social nos Anos 60;  Ilza Araújo Leão de Andrade[org.]: A Igreja e o Campo: Momentos de Uma Rica Trajetória e O Artesanato de Uma Nova Cultura Política: As Pastorais Populares; Paulo Palhano da Silva: Os Conflitos da Terra no RN e a Ação da Igreja; Irene Alves de Paiva: A Igreja e a Construção de um Espaço Público; Co-edição Z - Comunicação e Sebo Vermelho - Edições, 2000, Natal. 

Excerto da orelha pelo Dr. José Willington Germano da UFRN

            "O notável pensador italiano Antonio Gramsci, em seus famosos “Quaderni”, procurou analisar a ação do catolicismo no curso da história, especialmente na Itália. Para ele, a Igreja era, essencialmente, uma organização intelectual e a religião deveria ser compreendida como “unidade de fé entre uma concepção de mundo e uma norma de conduta adequada a ela”. O próprio Gramsci, no entanto, indaga: “por que chamar esta unidade de fé, de “religião” e não de “ideologia”, ou mesmo de “política”? Nessa perspectiva, a Igreja e, por conseguinte, a religião, não dizem respeito apenas à fé, mas também à organização, isto é, a política.

            Ao percorrer as páginas deste livro, o leitor irá se deparar com esse notória realidade: a participação política da Igreja Católica no Nordeste do Brasil, no Rio Grande do Norte em particular, no sentido de superar as agudas desigualdades sociais, erigir direitos, combater uma cultura política opressiva, organizar massas exploradas, fundar, enfim uma sociedade civil. 

            Como autor profundamente preocupado com as desigualdades, Gramsci se debruça sobre as diferenças na Itália, entre o Norte industrializado e o Sul agrária, atrasado. Mas, ao comparar a atuação da Igreja no “Mezzogiorno” a Igreja era uma força regressiva, conservadora, vinculada aos grandes proprietários rurais. No Nordeste, ao contrária, a Igreja, desde os anos 50, se tornou, em grande medida, uma força progressista, enfrentando, no campo e na cidade, as forças da opressão e do atraso. 

            Este livro, portanto, tem a virtude de abrir asas sobre um tema tão importante Igreja e política em um contexto que se caracteriza por um lado, pela riqueza cultural e pela capacidade de resistência do seu povo e, de outro, pela arrogância das suas elites, indiferentes à miséria". 

 

Obra: Das Evocações e dos Esquecidos; Autor: Mery Medeiros; Coleção Djalma Maranhão; Sebo da Praça; Natal, 1999.

Leia em Textos: Lembranças de Macau 

Apresentação do Jornalista Paulo Augusto [excerto]

O livro que o pesquisador social e “reporter sentimental” Mery Medeiros nos oferece, com o singelo título “Das Evocações e dos Esquecidos” , representa uma feliz demonstração e uma oportuna confluência das vigorosas forças populares, neste ano em que a Cidade do Natal completa os seus 400 anos.

Militante desde a juventude nas hostes das lutas populares, Mery Medeiros tem fincado cada vez mais profundamente na terra da civilidade e da cidadania as raízes do bom combate em prol da libertação da sofrida população potiguar do jugo das oligarquias, que vêm infelicitando, nestes mais de 110 anos de República, o caminhar da nossa humanidade no rum do progresso e do bem-estar coletivos.

Nesta obra, Mery coleciona momentos os mais pungentes de certas conquistas e de alguns louros de vitórias nas batalhas empreendidas pelos “soldados do povo” ao longo dessa guerra surda travada contra o absolutismo das classes dominantes reinante em terra papa-jerimuns.

 

Obra: Sem Paisagem – Memórias da Prisão; Autor: Moacyr de Góes; Sebo Vermelho; 2004; Natal[RN], CDD 920 CDU 920.91

Apresentação [excerto] ...

               Neste sentido, o livro dá um testemunho extremamente importante e resgata a história recente da cidade de Natal, não só nos seus aspectos políticos, mas, principalmente, do seu lado humano. ... Essas são as lembranças de um homem, que com um punhado de outros, acreditava, e, portanto, estava – a fazer a revolução brasileira, tendo como trincheira, a cidade de Natal, no início da década de 1960.

Quem são esses homens e mulheres que, na cidade de Natal, puseram em risco a segurança do sistema político e passaram tantos meses e até anos nas prisões militares, acusados de subversivos? ... ... O governo de João Goulart e o poder político apontavam para as mudanças. O medo tomou conta das elites atrasadas e reacionárias. Os EEUU, através da Aliança para o Progresso, criaram dois focos principais de ajuda à contra-Revolução Brasileira; no Nordeste, no governo do Sr. Aluízio Alves, o anti-Arraes, e no Sudeste, no governo do Sr. Carlos Lacerda, o anti-Jango. 

Nas páginas 109 e 178 o autor registra os companheiros de prisão de Macau, entre eles o deputado Floriano Bezerra e o sindicalista Chico Mariano, dentre outros.

 
 

Obra: Ribeiras do Assu e Mossoró - Notas para a sua história; autor: Olavo de Medeiros Filho; Coleção Mossoroense, série C; volume 1360; julho de 2003.

Excerto do livro -  "As salinas holandesas no litoral potiguar"  

“À época em que senhorearam a Capitania do Rio Grande, os holandeses exploraram algumas salinas, todas elas localizadas no litoral setentrional do território norte-rio-grandense. As mais antigas dessas salinas, anteriormente já conhecidas e exploradas pelos portugueses, eram aquelas existentes no rio Guamaré”. P. 19

Os mais antigos relatos sobre o Rio Assu, informam que o referido rio desaguava no Atlântico, através de cinco braços. O primeiro deles, na parte mais oriental, era conhecido por diversas denominações, assinaladas por autores portugueses e holandeses: Barytuba, Maritouba, Marytupa, Meiritupe, Omara, Omaratibo, Omaratuba e Umaritibu. Posteriormente o Marituba recebeu as denominações de Madeira, Arrombado e, finalmente, Casqueira, como é conhecido atualmente”. Segundo informações de Morris de Jonge, a salina encontrada no rio Marituba ficava a meia légua da barra, na margem oriental do rio, distanciando-se 200 ou 30 passos de terra a dentro. O litoral do rio Açu foi muito modificado no século passado. Inclusive ocorreu o afundamento da ilha de Manoel Gonçalves, processo iniciado em 1818 e já concluído em 1857. A ilha, que media 6 milhas no sentido leste-oeste, era separada do continente, no seu lado oriental, pelo rio Madeira”. p.26 

 
 

Obra: Estilhaços de um país-Geni – crônicas do Balão de Ensaio; Autor; Paulo Augusto; UFRN/CCHLA/Gráfica Santa Maria; 1995; Natal[RN]; CDU 869.0 [81] – 94.

São crônicas publicadas no Jornal de Natal, Caderno de Encartes, coluna Balão de Ensaio, entre os anos de 1991-1994. Na página 147 no texto “Macau, mon amour: acabou-se o que era doce?, o jornalista comenta sobre os efeitos da modernização do indústria salineira e a conjuntura da época, amplamente desfavorável para o trabalhador macauense.

O texto do jornalista Paulo Augusto, um dos melhores neste solo potiguar são sempre instigantes. Paulo não faz concessões: quando tem que dizer, diz.  

 ilustração de Gilson Nascimento