O baú de Macau
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Autores:vários; obra: UFRN - Notas sobre a região de Macau - Coleção Textos Acadêmicos [1984]
 
 
 
 
 

Obra: Um passeio sentimental  à minha terra; Autor: Walter Wanderley; 1977; Gráfica Olímpica Editora Ltda. Rio de Janeiro. Outras obras: Macau na poesia de Edinor Avelino [1967]; Família Wanderley [1944; 2ª ed. 1985]; O Centenario da Cidade de Macau [1975].

A imagem de uma cidade no livro de Walter Wanderley

  

           Este é um livro igual àqueles antigos livros do enlevo dos namorados, cuja leitura se terminava com pena de se ter chegado ao fim.

         Na verdade, é um livro encantador, que vem enriquecer, no seu gênero, a bibliografia memorialista do Rio Grande do Norte, em um dos aspectos positivos da sua originalidade.

         E mais do que isto, se ele vem enriquecer a literatura potiguar, muito mais ainda deve enriquecer, com sua publicação, a cidade de Macau, esta que, entre outras, no dizer do seu grande poeta Edinor Avelino, “é das mais ricas terras pequeninas”, a que ajuntarei com força de expressão: a refulgente pérola das marinas banhadas pela água do Atlântico. 

         Macau é a terra inesquecível, sempre presente nas incursões culturais do autor de “Um passeio sentimental à minha terra”, o admirável cartógrafo romancesco, de lúcida visão paisagística da região prodigalizada de imensas riquezas, que viu nascer Walter Wanderley – o descendente do flamengo companheiro de Maurício de Nassau – um valor representativo da sua geração e um dos seus filhos mais ilustres.

         A memória é, inquestionavelmente, o ponto alto da atividade literária de Walter Wanderley.

          Escritor de descortínio e horizonte amplo, aí estão seus livros de pesquisas e de genealogias, que retratam, com tinta forte, a geografia evocativa da sua obra, toda talhada nas curvas do passado, cujas tradições se vinculam à História e ao próprio Destino da terra e da gente do Nordeste Brasileiro;

          Quem o vislumbrar neste itinerário lustrado pelas estrelas da recordação, através da leitura destas páginas onde corre o rio do afeto e do amor, há de reencontrar na estatura de sua personalidade inconfundível a figura heráldica de João Wanderley de Albuquerque, parado no meio do tempo, contando as histórias do lugar e repetindo os nomes dos moradores desse nobre casario de outrora, que o tempo vai destruindo dia a dia, testemunha solitária, olhando as mesmas ruas queridas de Macau da sua juventude, acompanhados, agora pai-e-filho do fantasma inseparável da saudade...

                                                                        Orelha do livro por R. Nonato