O sal visto por Getulio Moura. Foto vencedora do concurso Petrobrás Prata da Casa [nível internacional] realizado em outubro de 2009. Veja mais fotos em http://gmxnafoto.net
Notas sobre o SAL
No Médio Dicionário Aurélio: Sal. S. m. 1. Quím. Substância que se forma na interação entre um ácido e uma base. 2. Quím. Cloreto de Sódio, cristalino, branco, usado na alimentação; sal de cozinha [Fórm. : NaC1] 3. Fig. Graça, espírito, vivacidade. 4. Malícia espirituosa; pilhéria, chiste. V. sais.
Na BÍBLIA:
Gênesis 14:3 Todos estes marcharam como aliados para a Baixada do Sidim, isto é o Mar Salgado.
Gênesis 19:26 E a esposa dele começou a olhar em volta, por detrás dele, e ela se tornou uma coluna de sal.
Deuteronômio 29:22 E forçosamente dirá a geração futura dos vossos filhos que se levantar depois de vós, como também o estrangeiro que virá duma terra distante, sim [quando] tiverem visto as pragas dessa terra e suas enfermidades com que Jeová a fez adoecer, 23 enxofre e sal, e incêndio, de modo que toda a sua terra não será semeada, nem brotará, nem surgirá nela vegetação alguma, como no derrubamento de Sodoma e Gomorra, Admá e Zeboim, que Jeová subverteu na sua ira e no seu furor.
Mateus 5:13 Vós sois o sal da terra, mas, se o sal perder a sua força, como se lhe restabelecerá a sua salinidade? Não presta mais para nada, senão para ser lançado fora, a fim de ser pisado pelos homens.
Marcos 9;49 Porque cada um tem de ser salgado com o fogo. 50 O sal é excelente; mas se o sal perder a sua força, com que é que o temperareis? Tende sal em vós mesmos e mantende a paz entre vós.
Lucas 14:34 O sal, certamente, é excelente. Mas se até mesmo o sal perder a sua força, com que será temperado? 35 Não é nem conveniente para o solo nem para o estrume. As pessoas o lançam fora. Escute aquele que tem ouvidos para escutar.
ENEIDA - Publio Virgilio Maronis (70 AC-19 AC)Tradução: Manuel Odorico Mendes (1799-1864) – Versão para eBook; www.eBooksBrasil.com
Com sete naus ao todo arriba Enéias;
E amorosos da terra, alvoroçados
Saltando os seus, do sal tábidos membros
190 Na areia espraiam. Lume eis fere Acates,
Toma em folhas, e em roda as acendalhas,
Nutre a faísca, e em lenha a chama ateia.
ODISSÉIA – Homero [Epopéia homérica século IX a.C] -tp://www.ufrgs.br/proin/versao_1/odisseia/index22.html.
Logo que no teu palácio tenhas dado morte aos pretendentes, por astúcia ou cara a cara, põe-te a caminho com um remo de fácil manejo ao ombro, até que te vejas entre uns homens que nunca viram o mar, que não comem os alimentos temperados com sal, nem conhecem as naus de proas vermelhas ou os remos de fácil manejo, que são as asas das naus. Vou dar-te um sinal muito certo que não te passará despercebido.
ILÍADA – Homero [Epopéia homérica século IX a.C.]
http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/iliadap.html.
O camarada obedeceu contente.
Ele, ante o lar, em cúpreo largo disco
Dorso depôs de ovelha e gorda cabra
E de um cevado os suculentos lombos:
Automedon segura, o herói perito
Em pessoa esposteja, enrosca e espeta;
O Menécio deiforme atiça o fogo:
Lânguida a flama, ao rúbido brasido
Sobre as lareiras os espetos vira,
De sal tempera-os sacro; todo o assado
Põe da cozinha à mesa, e o pão ministra
Em lindos canistréis. Do ítaco em face
Toma a parede e as carnes trincha Aquiles;
O sacrifício incumbe ao companheiro,
Que ao fogo atira as divinais primícias.
Deitam mãos dos manjares os convivas.
HÉCUBA – Eurípides
Multos modios salis simul edendos esse, ut amicitiae munus expletum sit. (De Amicitia, 19,67) Temos de comer juntos muitos módios de sal antes que a amizade se torne efetiva.

Trabalhadores do sal na decada de 40. Na primeira foto, "quebrando o sal"; na segunda foto enchendo os balaios.
Da obra Documentos Potiguares - vol. 16, José Augusto Bezerra de Medeiros, editor Leonardo Heydmann Barata, 1984. Fundação José Augusto, Natal [RN], 1984, retiramos o seguinte registro:
Mensagem lida perante o Congresso Legislativo na abertura da primeira sessão da 12ª Legislatura em 1º de novembro de 1924 pelo governador José Augusto Bezerra de Medeiros.
“Sal – Da importância do sal na economia geral do Rio Grande do Norte não é preciso falar. Sabemos que as nossas salinas são das maiores do mundo, e que o produto por elas fornecido é rico em cloreto de sódio, conforme atestam as analises químicas até agora procedidas. O quadro seguinte demonstra o número de salinas que possui o Rio Grande do Norte e a área por elas ocupada:
Salinas construídas em funcionamento:
Municipios salinas baldes Área em m2 de cristalizadores
Macau 15 594 242.252
Mossoró 10 391 1.141.012
Areia Branca 14 349 840.070
Canguaretama 6 118 158.864
São Gonçalo 4 57 88.737
Açu 1 14 33.600
Total 50 1.523 3.504.535
Salinas em construção:
Municípios Nº de salinas Nº de baldes Área em m2 de cristalizadores
Mossoró 1 100 225.000
Macau 2 89 182.400
Areia Branca 3 31 71.080
Canguaretama 1 10 11.200
Total 7 230 489.680
Conforme se vê, há no Estado 50 salinas construídas e em funcionamento, contando 1.543 baldes ou cristalizadores que ocupam uma área de 3.504.535 metros quadrados, e sete salinas em construção com 230 cristalizadores, ocupando uma área de 489.680 metros quadrados. Estas salinas são distribuídas por seis municípios, ocupando o primeiro lugar o de Macau, e o último o de Açu, com uma única salina.
Com tais elementos deveríamos dominar inteiramente no fornecimento do sal pelo menos todo o mercado interno do Brasil, o que infelizmente ainda não sucede, em parte por dificuldades do transporte e, em parte, força é confessá-lo, porque o nosso sal se apresenta muitas vezes com uma considerável percentagem de cloreto de magnésio, que o torna indesejável para a aplicação na indústria do charque. Os esforços do governo do Estado estão sendo empregados, com o maior carinho, no afastamento daquelas duas grandes barreiras. Junto às empresas de transporte tenho me empenhado, e continuarei a fazê-lo cada vez mais, para que reduzam os fretes cobrados pela condução daquele nosso produto, que os não suporta senão baixos e reduzidos. Quanto à melhoria do sal, que pode e deve ser conseguida no momento mesmo do seu fabrico, comissionei o nosso conterrâneo, químico-industrial Raul Caldas, com estudos especiais sobre a matéria, para examinar a questão com vagar e, em colaboração com os diretamente interessados na solução do caso, sugerir os meios conducentes àquela finalidade.
Dos estudos até agora feitos pelo químico Raul Caldas resulta a convicção em que ele está de que poderemos em breve produzir sal em condições de afastar totalmente, pela excelência de sua qualidade, o similar estrangeiro.
O Dr. Raul Caldas reputa indispensável a criação do serviço do sal, compreendendo:
1) o registro das salinas, para o qual cada salineiro enviará uma planta da sua propriedade;
2) uma salina-modelo, onde se fabricará o sal por processo racional e onde se prepararão feitores capazes;
3) a fiscalização sobre a exportação, estabelecendo-se os tipos de sal de acordo com as necessidades dos respectivos mercados e fins a que é destinado o produto.
O Serviço do sal, conhecendo todas as salinas pelos respectivos registros, indicará ao salineiro as modificações úteis a introduzir em suas propriedades. Além das demonstrações práticas feitas na salina-modelo aos seus alunos, as quais serão franqueadas a todos os interessados, o Serviço fará distribuir folhetos escritos em linguagem ao alcance de todos sobre os métodos racionais relativos à indústria e procurará dar uma organização sistemática à exploração das salinas, introduzindo aos poucos um sistema de real valor, como seja, por exemplo, o sistema Taylor.
Diz o Dr. Raul Caldas que as pesquisas já feitas demonstram que não há constância na composição do produto das diversas salinas, havendo até numa mesma salina tipos de sal tão diversos como se tivessem origem em regiões completamente diferentes. Assim é que se encontram produtos de salinas vizinhas, e até de uma mesma salina, contendo mais de um por cento de cloreto de magnésio e quase um por cento de sulfato de magnésio e outros com os mesmos sais em proporções muito menores e (isto muito raramente) apenas com traços destes dois compostos. Isto indica que estes produtos de uma mesma região apenas não procedem de condições idênticas, o que quer dizer que devemos unificar os processos conforme as condições naturais que nos são dadas e que para nós são as melhores que se podem encontrar na face da terra.
Cumpro aqui o dever de assinalar a importância dos serviços que vem prestando à industria do sal de nosso Estado o nosso conterrâneo professor Manoel Tavares Guerreiro, que, residindo atualmente no Mato Grosso, tem feito uma constante e tenaz propaganda do nosso produto por meio os mais inteligentes e eficazes, muito concorrendo para acreditá-lo e conceituá-lo naquele grande centro de consumo.
- Na minha recente visita aos Municípios de Areia Branca e Mossoró, tive a satisfação de lanças os fundamentos de uma salina-modelo, em terreno cedido pelos adiantados salineiros, os irmãos Oliveira, e de acordo com os planos traçados pelo Sr. Dr. Raul Caldas”.

Colhedeira de sal 1964 CCN

Baldes e cristalizadores 1964 CCN

Esteiras de transporte do sal colhido. CCN 1964

Esteiras de transporte do sal colhido CCN 1964

Gamboa dos Barcos. Despejo das águas perdidas [águas mães] dos cristalizadores da CIRNE.

Pirâmides de sal na década de 40
Cristalizadores - pirâmides de sal - ao fundo o prédio da moagem.

Ilha de Santana, ponte velha sobre o Rio Açu, Macau, baldes , mangues e cristalizadores.
Livros que tratam da economia salineira: [veja mais em Literatura e Artes]
Ademir Araújo da Costa - Tecnologia e Desemprego: O caso da região salineira de Macau-RN
Geraldo de Margela Fernandes - O SAL - Economia em questão
Getúlio Moura - Um Rio Grande e Macau
INDA [organização] - O Porto continental de Areia Branca
O Moinho Passarinho. Em 1981 quando cheguei em Macau ele já estava sem a metade de suas pás lá no meio dos baldes, sempre imponente. Hoje, ele fechou suas pás, definitivamente. As fotos são de Getúlio Moura. Leia abaixo a homenagem do poeta Pedro Grilo.

