O baú de Macau
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SÍNTESES, de Edinor Avelino edição comemorativa ao centenário do Poeta[1998]. Prefeitura Municipal de Macau. Trecho do prefácio do escritor Walter Wanderley em 1968:  “O que mais poderia desejar para mim de bom e de agradável, no terreno das idéias, de que figurar neste livro de Edinor Avelino – o poeta máximo de Macau, a terra em que nasci. O que mais poderia almejar, nos domínios da inteligência, de que comentar este livro, que é em essência a alma de um macauense cantando suas canções mais ternas e queridas.Desde menino, no Macau dos meus sonhos, que admiro o Edinor. Seus versos estavam sempre nos meus cadernos escolares. Eu os recitava no Grupo Escolar, sentindo em cada imagem, em cada palavra do poeta, sua alma a vibrar nos costumeiros transbordamentos emocionais, quer se refira ao sertão, quer quando dizia as belezas naturais do seu chão, nas suas elegias ao amor ou ao referir-se a uma efeméride nacional. Lá estava sempre o poeta dos “grandes vôos do meu pensamento” a dizer tão bem aquelas coisas na magia dos seus poemas”.

 

Autor: Edmilson Siqueira - Obra: Renascendo das cinzas – memórias de Logradouro  - Imperial Casa Editora da Casqueira – Macau – 1999.

Autor: Elson CunhaObra: A Ação Política do PCB em Natal na Resistência Democrática [ 1964-1984] [Monografia apresentada ao Departamento de CHLA, da UFRN em 2006].  Resumo[excerto]: No Rio Grande do Norte, em particular na cidade de Natal, O PCB nasce no momento em que a classe operária ainda era muito incipiente, mesmo assim o Partido tem uma influência marcante na formação do movimento sindical, principalmente nas cidades portuárias. Com a eclosão do movimento revolucionário de 1935, o PCB enfrenta muitas perseguições e prisões em todo o Brasil. Foi uma forma de desarticular o Partido. Isso só irá mudar com os reflexos do resultado do pós-guerra que possibilita o retorno da democracia no Brasil em 1946. Em Natal, o PCB adota uma política de alianças que unia todos os setores de oposição, de 1959 a 1964. Em 1962, ocorre a defecção dentro do PCB, resultando no surgimento do PC do B e outras correntes políticas. Com o Golpe militar de 1º de abril de 1964 o PCB mais uma vez sofrerá as mais cruéis formas de perseguições, tortura e morte de seus quadros, mesmo assim encontra forças para lutar contra o regime militar.

Obra: Balões de Ensaio; autor: Ezequiel Wanderley[1872-1933] do Centro Polymathico; 1919, Typografia Commercial – J. Pinto & Cia – Natal – 1919 – edição fac-similar; Sebo Vermelho – Natal, 2009 - Orelha do livro por Abimael Silva, sebista e editor - A volta dos Balões de Ensaio  - Há noventa anos o jornalista, teatrólogo, cronista, poeta, agitador cultural e dandi Ezequiel Wanderley lançava Balões de Ensaio, reunindo crônicas, pequenos ensaios e depoimentos sobre o Rio Grande do Norte e algumas personalidades da época: Antonio Marinho, Gothardo Neto, Pedro Velho, Nísia Floresta, Natal, Macau e a origem da palavra papa-jerimum justificaria sua reedição, mas este livro tem muitas outras qualidades. Balões de Ensaio é o primeiro livro de Ezequiel Wanderley, publicado em 1919. Está entre as grandes raridades da bibliografia norte-rio-grandense, reeditadas pelo Sebo Vermelho, em edição fac-similar e limitada, de trezentos exemplares, para estudiosos e pesquisadores de nossa história. Filho de Luiz Carlos Lins Wanderley, primeiro médico e romancista do Rio Grande do Norte, autor de O Mistério de um Homem Rico, publicado em 1875, Ezequiel Lins Wanderley nasceu em Assu, dia 27/10/1872. Depois de Balões de Ensaio, publicou Poetas do Rio Grande do Norte, em 1922 e Meu Teatro, em 1927. Faleceu em Natal, dia 26/11/1933, aos 61 anos, deixando excelente produção literária nos jornais de sua época, à espera de um pesquisador com faro apurado e sensibilidade poética.

  

Cárcere das águas de Fagundes de Menezes - João Fagundes de Menezes nasceu em Macau [RN]. Iniciou no jornalismo em Natal [Diário de Natal e A República], e trabalhou em vários jornais de Pernambuco[Correio do Povo e Jornal do Commercio] e do Rio de Janeiro [Diário de Notícias, O Globo e Jornal do Brasil]. Orelha do livro dos Editores:“Esse é, de fato, o cenário de ‘Cárcere das Águas’, o pano de fundo dos 12 contos que compõem este livro: as extensas orlas de areia, e salinas, a gente do mar, os pescadores, navios entrando e saindo, a saudade do mar dos velhos marinheiros, como o personagem Pisa. ‘Poucos metros quadrados de um solo flutuante a mostrar-lhe a condição de prisioneiro. Cárcere das águas’. Contos carregados de ternura pelo gênero humano, em um estilo límpido, altamente poético, um livro que se acrescenta vigorosamente à obra de Fagundes de Menezes, e à ficção brasileira”

Autores: Fernanda Maria Bezerra; Francisca Santana; Maria das Graças Gama Oliveira; Maria Iracema B. Silva; Marilda Barros e Walquíria Souza de Oliveira; Obra: Prostituição em Macau ontem e hoje; UFRN – Probásica – Campus de Macau – 2000. Apresentação do professor Benito Barros [excerto] A Prostituição em Macau Ontem e Hoje é o resultado de pesquisa realizada por alunas da disciplina Metodologia do Trabalho Científico ministrada à turma de Macau/Guamaré do Probásica/UFRN, no primeiro semestre de 2000. Quando propusemos o tema às alunas não houve, de início, boa acolhida. O objeto da pesquisa, por ser um tema envolto em preconceitos, provocou receio nas estudantes que teriam que esmiuçá-lo tanto quanto possível. Os temores iniciais, entretanto, dissiparam-se na medida em que elas iam desenvolvendo a pesquisa. O resultado, pois, foi este excelente trabalho apresentado em meio a outros tantos bons trabalhos que tivemos o privilegio de avaliar.

Minhas tamataranas: linhas amarelas – Memórias; Floriano Bezerra de Araújo; Natal, dezembro de 2009; Sebo Vermelho; ISBN: 978-85-910104-0-0 - FLORIANO BEZERRA DE ARAÚJO E A LUTA POR DIREITOS, pela Drª Maria da Conceição Fraga, Professora do Departamento e do Programa de Pós graduação em História/UFRN   - Quero,  inicialmente, manifestar o prazer e a honra de apresentar ao leitor Floriano Bezerra de Araújo e sua importância para a História Política de Macau, do Rio Grande do Norte e do Brasil.            Floriano Bezerra de Araújo é um homem de uma família simples, de uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Norte. Nasceu em Assu, foi naturalizado em Afonso Bezerra, tendo feito toda a sua trajetória política em Macau. Seus gestos e suas lutas ganham força, quando analisados no contexto em que ocorreram, bem como, o modo, o teor de suas reivindicações e os atores com os quais ele se juntou para conduzir a mobilização por direitos sociais e políticos.            O ex-sindicalista e ex-deputado teve, ainda, na trajetória de sua família [pai e irmãos] a marca da migração para a Amazônia brasileira ocorrida nos anos 1940 e 1950 em busca de trabalho e melhores condições de vida [como diz a historiografia, os Soldados da Borracha!]. Após o retorno a Macau, seu pai, liderança política destacada na região, pioneiro na organização dos trabalhadores tornou-se prefeito da cidade e ganhou respeito e admiração da população.            Hannah Arendt, filósofa alemã, disse que os homens, ao agirem, mudam o mundo e mudam a si. Eis, pois, o que fez o ex-sindicalista e ex-deputado, ao contribuir para que os salineiros se organizassem e lutassem por seus direitos trabalhistas em Macau. Isso mudou a história de sua cidade e de seus estado, transformando a aparente vida pacata em um cenário de luta. Sua vida, também, aparentemente pacata, configurou-se em um personagem importante para os trabalhadores e para o Estado Militar Autoritário Brasileiro, nos Anos de Chumbo.            Macau, pela importância econômica à época, tinha um expressivo número de trabalhadores nas salinas, chegando a influenciar em toda região salineira [Areia Branca, Grossos, por exemplo]; era uma cidade onde giravam volumes expressivos de recursos; um lugar privilegiado que possuía escola voltada, especificamente, para ensinar os filhos dos trabalhadores da produção de sal; uma comunidade que tinha seus estabelecimentos comerciais como referência, na região. Tudo isso tornava a Macau um ambiente propício ao debate político e o cenário em que surgiu a liderança do ex-sindicalista e ex-deputado.            Floriano Bezerra de Araújo, ao organizar os trabalhadores e lutar por direitos, chamava a atenção para os problemas econômicos, políticos e sociais da sociedade; despertava os trabalhadores para a força que a categoria adquire, quando junta; despertava também as comunidades vizinhas para a possibilidade de que aqueles que lutam, conquistam direitos, dava visibilidade aos problemas da região e dos trabalhadores. Este percurso e esta atuação fizeram do protagonista, liderança sindical e filho de homem humilde e também liderança política, Venâncio Zacarias de Araújo, uma ameaça à ordem estabelecida. A experiência adquirida no movimento sindical o tornou referência na região e o fez assumir uma vaga em uma das instâncias mais expressivas de poder, a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte. Lá, em outro patamar, o ex-deputado representava seus pares, os trabalhadores, no entanto, teve seu mandato interrompido pela repressão. Esta trajetória política, de sindicalista a deputado é uma página obrigatória na história do sindicalismo do Estado e do País. Sua vivencia em fóruns nacionais de trabalhadores, destacadamente no Rio de Janeiro, bem como o intercâmbio como outras lideranças de expressão nacional o fez ocupar papel destacado da representação política no estado.            Sendo assim, falar do sindicalismo dos anos 1960 em Macau, no Rio Grande do Norte, bem como da Assembléia Legislativa do Estado é construir uma página especial na História Política do Brasil e o registro da passagem de um dos principais protagonistas dessa trama que é Floriano Bezerra de Araújo. Diante do exposto, convido o leitor a saborear esta narrativa e com ela [re]ler, [re]conhecer, [re]contar a História do País à luz do que nos ensinou Maurice Halbachws a memória individual como fragmento da memória coletiva, a trajetória de Floriano Bezerra se confundindo com a trajetória dos sindicalistas. Ou, como o fez Michel Pollak que definiu a memória subterrânea como sendo aquela que, sem situações de repressão, não pode ocupar os espaços públicos como fora o período dos governos militares no Brasil. A memória subterrânea não significa que ela não existiu, muito pelo contrário, aflora e manifesta com lágrimas e alegrias o que somente o narrador é capaz de imprimir [Walter Benjamim].            Com a palavra, o ex-sindicalista, ex-deputado e protagonista de um momento particular e importantíssimo na História do País, do Rio Grande do Norte e de Macau, Floriano Bezerra de Araújo...”

As memórias de um brasileiro altivo: Floriano Bezerra - “Minhas tamataranas: linhas amarelas – Memórias”       Na vida, a gente perde, a gente ganha. O tempo, este amigo e inimigo é cruel. Quando vê, já passou. Ficam as recordações: boas e más. E desde sempre, o homem considera que o antes era bem melhor.  Escrever sobre memórias não é fácil. É primeira pessoa nua e crua. Eu fico nú ou não escrevo “o que preste”. Floriano Bezerra decidiu ficar nú e nos brindou com “Minhas Tamataranas: linhas amarelas – Memórias”, um livro de quem sabe contar histórias, carregado de ternura e sem ódios. E olha que Floriano teve todos os motivos do mundo para conservar ódios.  O livro, dividido em vinte e sete capítulos, narra suas memórias desde o quatro anos de idade – como ele mesmo diz – é a partir daí que se lembra das coisas, até seus recentes embates políticos.  As narrativas das suas lembranças do sertão, nos idos de 30 são magistrais. Nos deixa cara a cara com os cheiros de mofumbos, xiquexiques, macambiras e o canto das águas, dos nambus, das corujas e da cruviana fria, gelada. Depois em Macau, num trabalho que era o sonho de muitos meninos ainda pequenos: botando água de calão. “Dava moral”. Era demonstração de força e poder. A iniciação sexual narrada sem biombos e meandros. Direto, como sempre foi sua trajetória.  Na sequência, o que esteve sempre latente na sua vida: a luta contra as desigualdades sociais. A narrativa sempre precisa de seus embates sindicais, a lembrança dos companheiros de luta, dos amigos, dos adversários, enfim, daqueles que ele considerou significativos. Na vida, a gente perde, a gente ganha. Uns escolhem lutar para si mesmo. Outros escolhem lutar pelo coletivo. Floriano Bezerra escolheu o caminho da luta pelo coletivo e assim pautou sua vida. E é isso que ele registrou nesse livro de memórias. Ele é um daqueles milhares de nordestinos que não se conformaram com a opressão da classe dominante - - representado pelas oligarquias locais - - que determinaram manter o nordeste brasileiro  como um depósito de mão-de-obra barata e disponível para as necessidades do exército de reserva do capitalismo. Contra a opressão e por um país livre, muitos pagaram com a vida, como o patriota Luiz Maranhão, Edson Quaresma e Emanuel Bezerra, dentre outros bravos potiguares. Mas alguns sobreviveram às torturas, às humilhações e às incompreensões, como Floriano Bezerra, Mery Medeiros e tantos outros e hoje podem contar a história. Não a história manipulada e falsificada pela ditadura. Não aquela que ainda hoje, reconhecidos torturadores e colunistas dedos-duros que vivem das sobras das mesas burguesas, ainda publicam nos jornais.   “Minhas tamataranas: linhas amarelas – Memórias”, não deixam margem para dúvidas, especulações ou interrogações. É um livro sem véus, como o autor. Claudio Guerra, dezembro de 2009. 

Autores: Francisca Santana; Fernanda Maria Bezerra; ; Maria das Graças Gama Oliveira; Maria Iracema B. Silva; Marilda Barros e Walquíria Souza de Oliveira; Obra: Prostituição em Macau ontem e hoje; UFRN – Probásica – Campus de Macau – 2000. Apresentação do professor Benito Barros [excerto] A Prostituição em Macau Ontem e Hoje é o resultado de pesquisa realizada por alunas da disciplina Metodologia do Trabalho Científico ministrada à turma de Macau/Guamaré do Probásica/UFRN, no primeiro semestre de 2000. Quando propusemos o tema às alunas não houve, de início, boa acolhida. O objeto da pesquisa, por ser um tema envolto em preconceitos, provocou receio nas estudantes que teriam que esmiuçá-lo tanto quanto possível. Os temores iniciais, entretanto, dissiparam-se na medida em que elas iam desenvolvendo a pesquisa. O resultado, pois, foi este excelente trabalho apresentado em meio a outros tantos bons trabalhos que tivemos o privilegio de avaliar.

Autor: Francisco Carlos Oliveira de Sousa

Obra: DAS SALINAS AO SINDICATO – A Trajetória da Utopia Salineira

Editora: CEFET-RN – Natal – RN – 2007

Prefácio do Professor João Emanuel Evangelista, da UFRN. 

A história da sociedade brasileira exprime as particularidades e as contradições da implantação e do desenvolvimento das relações sociais de produção típicas do capitalismo moderno. Desde os seus primórdios, a nossa formação social sofreu os efeitos do caráter desigual e combinado do desenvolvimento capitalista. Nos diferentes momentos da nossa história, desde o período colonial aos nossos dias, o avanço das relações sociais de produção capitalistas nunca foi acompanhado de um processo simétrico e homogêneo de expansão e afirmação da modernização capitalista sobre o conjunto das várias regiões e dos diversos grupos e classes sociais que compõem a sociedade brasileira.

A sociabilidade, a cultura e as instituições políticas próprias da modernidade capitalista aqui encontram formas de manifestações extremamente desiguais e excludentes, que estruturam a sociedade brasileira. A casa-grande versus a senzala, o sobrado versus o mocambo, os condomínios de luxo versus as favelas, o milionário agronegócio de exportação versus as ocupações e os assentamentos de trabalhadores rurais sem-terras são exemplos paradigmáticos do padrão de desenvolvimento capitalista adotado por nossas classes dirigentes e proprietárias.

A lógica excludente do desenvolvimento capitalista brasileiro possui, como sua necessária contraface, uma tradição política autoritária e elitista praticada por nossas classes mandatárias e proprietárias. Há uma incapacidade crônica das classes dominantes brasileiras para protagonizar um projeto civilizatório que contemple minimamente os interesses materiais e as aspirações espirituais das grandes massas populares. A dominação capitalista é assegurada com o uso preponderante da força e da coerção na relação com as classes subalternas, revelando uma dificuldade reiterada de se tornar dirigente e obter o consenso ativo e/ou passivo da maioria da população.

Diante dessa debilidade histórica para se conquistar a hegemonia na sociedade brasileira, as classes proprietárias resolvem seus conflitos internos e as contradições sociais representadas pelas classes subalternas enfrentando os momentos cruciais da crise ao longo da história brasileira por meio do mecanismo da conciliação pelo alto. As transformações históricas nunca são resultantes de rupturas revolucionárias entre forças políticas e sociais que se enfrentam direta e radicalmente. O movimento histórico que ocorre na sociedade brasileira possui um caráter molecular, com a conservação relativa e a predominância de fortes traços de continuidade com o passado. O novo nunca se impõe totalmente diante do velho. As classes dominantes sempre procuram e encontram saídas políticas para os impasses históricos pela composição interna entre suas diferentes frações de classe e respectivas facções políticas e a constante exclusão política das classes trabalhadoras e das massas populares.

A revolução passiva brasileira vem encontrando, até hoje, formas inusitadas de reprodução de mecanismos que asseguram que as transformações sociais sejam sempre adiadas. A “revolução sem revolução”, como dizia Gramsci, é a chave explicativa para os impasses ainda vividos pela sociedade brasileira. Como são incapazes de assegurar a hegemonia, as classes dominantes usam e abusam do autoritarismo e de artifícios para cooptar, anular ou neutralizar as possibilidades de uma ação verdadeiramente transformadora das classes subalternas e de suas organizações comunitárias, sindicais e partidárias. Como conseqüências, o Estado moderno ganhou uma configuração assimétrica com uma sociedade política hipertrofiada [conjunto de aparatos institucionais de governo e aparelhos de repressão e manutenção da ordem social] e uma sociedade civil frágil e gelatinosa [conjunto de organizações e instituições responsáveis pela produção espiritual e ideológica e que constituem a arena de confrontação política e cultural entre os diferentes grupos e classes sociais que aspiram à hegemonia de sua concepção de mundo].

Essa lógica passiva no desenvolvimento e na difusão das relações sociais de produção capitalistas é reproduzida em escala quase exponencial no Rio Grande do Norte. A inserção da nossa sociedade nos circuitos de circulação e produção capitalista ocorreu por meio da produção da cana-de-açúcar, da pecuária, da produção algodoeira, da indústria salineira e da mineração. O processo de industrialização era rarefeito e estava circunscrito às pequenas indústrias de beneficiamento dessas matérias-primas. A indústria salineira despontava como exceção porque, apesar de ser composta por grandes, médias e pequenas salinas, era liderada por grandes empresas capitalistas, sediadas no Sudeste do País. No processo de produção, colheita e transporte do sal, as grandes empresas salineiras adotavam uma complexa divisão de trabalho, com a contratação temporária de milhares de trabalhadores assalariados, numa condição tipicamente operária.

No final dos anos 1950 e nos anos 1960, a sociedade brasileira, em suas diferentes regiões, experimenta um dos raros momentos históricos em que os trabalhadores urbanos e rurais se tornam efetivos sujeitos políticos e sociais, por uma inusitada demonstração de capacidade de organização, mobilização e luta em favor de seus direitos e interesses de classe. Numa crescente radicalização, às vésperas do Golpe Militar de 1964, começa a se delinear a possibilidade de uma efetiva ruptura política e o desencadear de um processo de transformação social, que poderiam pôr fim à modorrenta lógica conservadora da revolução passiva no Brasil.

A política potiguar, até então comandada pelos interesses agrários e oligárquicos representados pelas duas facções dominantes do PSD e da UDN, que se revezavam no poder estadual, também começa a sofrer os efeitos das mudanças políticas nacionais. O jovem deputado federal, Aluízio Alves, integrante da UDN, liderada pelo governador Dinarte Mariz, insurge-se contra a indicação do candidato oficial ao governo do Estado, o deputado federal Djalma Marinho, e articula uma aliança que envolve amplo leque de partidos políticos, obtendo, inclusive, o apoio do “adversário” PSD. Aluízio Alves é eleito governador e firma-se como a nova grande liderança política de massas, trazendo uma proposta modernizante e um discurso desenvolvimentista, segundo a velha lógica passiva de fazer mudanças parciais que conservam parte do atraso pretérito. A face mais progressista desse processo de renovação da política potiguar, gestada na mesma trama passiva, mas que rompe com o seu “transformismo” conservador, é encarnada pelo surgimento da liderança de Djalma Maranhão, eleito prefeito de Natal, inspirado por uma orientação nacionalista de esquerda e com forte inserção nos setores populares.

A cidade de Macau, principal produtora de sal, é um dos palcos privilegiados da luta e da organização das classes subalternas no Rio Grande do Norte nesse período. Surgem inúmeros sindicatos de trabalhadores, que representam as diversas categorias profissionais envolvidas na produção, extração, transporte e embarque do sal. Aos poucos, vão rompendo com o “transformismo” da tutela patronal e assumindo uma postura de independência política e sindical. Com o passar do tempo, em consonância com a radicalização nacional do movimento operário e sindical, são vários os sindicatos de trabalhadores que se destacam pela intensa atuação e orientação política de esquerda. Essa força política dos trabalhadores macauenses não ficou limitada ao plano sindical. Eles foram capazes de aspirar ao poder político local, conseguindo eleger o líder sindical dos salineiros, Venâncio Zacarias de Araújo, como prefeito da cidade. Todavia, essa rica experiência de efervescência política e social das classes subalternas foi duramente interrompida com o Golpe Militar de 1964. Os trabalhadores macauenses conheceram a crueza da força da repressão militar e sofreram, na companhia solidária dos seus familiares e amigos, com a prisão em massa dos seus líderes políticos e sindicais.

O livro Das salinas ao sindicato: a trajetória da utopia salineira é uma contribuição imprescindível para quem quer conhecer esse inesquecível capítulo da história das nossas classes subalternas. O professor Francisco Carlos demonstra grande e promissora competência intelectual e sua vocação para a historiografia social, conjugando sua formação de historiador e seu conhecimento sociológico. O livro, que o público leitor agora tem a oportunidade de conhecer, é o resultado de uma investigação científica que combina com equilíbrio, a serenidade e o distanciamento do pesquisador e a paixão e o arrebatamento do intelectual comprometido com a democracia e a justiça social. Representa, ainda, algo de importante significação: um justo e necessário resgate histórico das nossas próprias origens macauenses.  

 

Autor: Frank Tavares Correa; Obra: Presença de Oswaldo Cruz no Rio Grande do Norte;   Carta de 22 de outubro de 1905 de Oswaldo Cruz para sua esposa: “Chegamos à barra do Assu, rio a qual está Macau, às 11 h. da manhã. Já aguardava nossa chegada o prático da barra que levou-me dois telegramas do Leão, pelos quais tive o prazer de receber notícias de vocês. A nosso encontro vieram 3 ou 4 escaleres á vela mandados pela população para receber-nos, caso o navio não pudesse transpor a barra. Não foi necessário, embora arrastando na lama, conseguimos transpor o baixio e subirmos o rio, fundeando bem defronte da cidade. Ancorados, recebemos as primeiras visitas: o médico da localidade Dr. Pedro Amorim, o Juiz de Direito Dr. Câmara, o Promotor Público, o Presidente da Intendência, o vigário, o encarregado da mesa de rendas, deputados estaduais, os mais importantes salineiros da terra, etc. ...Em terra disse-nos um dos magnatas que conheceu-me pelas caricaturas de “Malho”! jornal conhecidíssimo em todo norte. Disse-me que a cabeleira estava perfeita, faltando apenas ter presos nela alguns mosquitos! Vê que santa ingenuidade!”

 

Autor: Geraldo de Margela Fernandes; obra: O sal, economia em questão; UFRN – CCHLA - Coleção Humanas e Letras; Coleção Mossoroense – vol. 851 – Natal, 1995.  Apresentação do autor [excertos] Este livro é o resultado da pesquisa realizada para elaboração da tese de Mestrado em Sociologia do Desenvolvimento que recebeu inicialmente o título de Operários do Sal: Dois Séculos de Exploração, aprovada pela Universidade Federal do Ceará, em 1980. Ela foi publicada em 1ª edição pela Coleção Textos Acadêmicos patrocinada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 1982. A sua reedição pela coleção Humanas Letras do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes se justifica pela atualidade das questões aqui discutidas e pela adição de tres trabalhos elaborados para conferências e publicação na imprensa local, posteriores à pesquisa. Esses textos guardam coerência com o tema central apresentado, acrescentando e atualizando pontos ao trabalho original. O texto A modernização da industria salineira e a expansão da economia em Mossoró, discute o processo de modernização ocorrido naquele setor industrial e o papel do Estado no incentivo ao processo de mecanização.

 

 

  

Autor: Getúlio Moura: obra: Um Rio Grande e Macau - Prefácio do historiador Olavo MedeirosGETÚLIO MOURA veio ao mundo em 22 de janeiro de 1962, na localidade de Tabatinga, à época pertencente ao território municipal de Pendências-RN. Atualmente, Tabatinga faz parte do município de Alto do Rodrigues. Desde os 2 anos, Getúlio reside na cidade de Macau, exerce o cargo de Técnico Ambiental na PETROBRÁS. Além das atividades profissionais de rotina, Getúlio convive com diversos “hobbies”: poesia, música, pintura, fotografia e ecologia. ‘UM RIO GRANDE E MACAU – CRONOLOGIA DA HISTÓRIA GERAL”  é o ensaio escrito por Getúlio Moura. O autor focaliza nas quinhentas páginas do livro, os mais variados aspectos daquele município e de toda a região de que faz parte: I – Viagens, Descobrimento e Colonização; II – Os Índios do Vale do Açu e o Litoral primitivo; III – Origem e Desenvolvimento de Macau; IV – Comércio, Indústria, Sociedade e Meio Ambiente; V -  Educação e Cultura; VI – Comunidades de Macau; VII – Municípios Vizinhos, Antigos Territórios de Macau; Por sua vez, cada uma dessas 7 partes originam dezenas de subtítulos, que versam sobre os mais variados temas regionais. Considero o ensaio de Getúlio Moura, um marco na bibliografia norte-riograndense. Trata-se da melhor obra já escrita sobre aquela importante região salineira e petrolífera. Aproveito o ensejo para fazer duas digressões sobre aspectos ligados à protohistória macauense. Comungo com o ponto de vista defendido pelo sábio cearense, Tomaz Pompeu Sobrinho, de que os indígenas habitantes do litoral correspondente ao rio Açu, à época em que Vespúcio percorreu parte de nossos mares, pertenciam ao grupo tapuia denominado Tremembé [Ver Do Instituto do Ceará, Tomo LXV, 1951]. Os Tremembés nordestinos habitavam as praias e estuários dos nossos rios, desde a região fronteira aos baixios de São Roque, no Rio Grande do Norte, até a barra do rio Gurupi ou baía do Maranhão. Ocupavam aqueles silvícolas os terrenos cobertos de manguezais e alagadiços. A propósito da pretensa semelhança existente entre a Macau norte-riograndense e a Macau chinesa – fruto das elucubrações do mestre Luís da Câmara Cascudo -, não posso encontrar paralelo entre as duas localidades. Em 1797, a Macau norte-riograndense não passava de uma ilhota na foz do rio Açu, sem água, sem habitantes e desprovida de gado e lavouras. E Macau chinesa já era uma cidade famosa... Acho muito mais provável, que a denominação daquela ilhota, onde hoje existe a cidade de Macau, proviesse da abundância no local, de aves chamadas macau, também conhecidas como arara-macau, ararapiranga e arara-vermelha. [Anádor – hynchus glaucius Vieillor] [Ara chlopetera Grey]. Finalizando, parabenizo o escritor Getulio Moura, a terra macauense e o Rio Grande do Norte, pelo valioso trabalho que ora vem à luz: OLAVO DE MEDEIROS FILHO, Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e Membro da Academia Norte-riograndense de Letras. 

Quando pesquisava no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, por volta de 2004 para o meu romance “Ninguém para a Coréia”, conheci o grande historiador Olavo de Medeiros Filho, falecido no ano passado. Numa de nossas conversas ele falou com grande entusiasmo do livro de Getúlio Moura, afirmando que prefaciara uma das mais importantes obras da história do Rio Grande do Norte.  Olavo de Medeiros Filho deixou uma extensa obra sobre a história do Rio Grande do Norte, em especial da presença holandesa no território potiguar. Claudio Guerra, em junho de 2009.

 

Obra: Humor com gosto de sal; autor: Getúlio Teixeira; Sebo Vermelho Edições; Natal, 2003, Orelha do livro por Chiara TeixeiraNascido em Macau no ano de 1945, Getulio Teixeira desde muito cedo manifestou seu amor à cidade. Em 1971 começou sua carreira política; por duas vezes foi eleito vereador, depois Secretário de Obras, encerrando sua vida pública em 1978 como Secretário de Educação. Em 1984, já morando na capital do Estado, o até então acadêmico de Direito envolveu-se em eventos e realizou em 5 edições, os saudosos encontros macauenses. Entre um encontro e outro foram surgindo lembranças de um tempo vivido e nunca esquecido. Causos e confissões de adolescentes e de homens feitos de histórias. Nascia assim a vontade de registrar em livro toda uma época. Em Humor com Gosto de Sal, Getúlio retrata com habilidade a saudade de muitos carnavais, de várias procissões e incontáveis embarcações. Figuras memoráveis e suas particularidades, lendas e folclores da mais genuína cidade do sal, numa linguagem simples e bem humorada que faz de Humor com Gosto de Sal uma verdadeira declaração de amor a Macau.

 

Autor: Getulio Vargas Maia Barros - Obra: A Escola de Macau; Autores: Gilberto Avelino, Horácio Paiva, Benito Barros, Getulio Moura, João Vicente Guimarães e Getúlio Vargas Maia Barros; Imperial Casa Editora da Casqueira, 2003, Macau-RN.Prefácio de Horácio Paiva [excerto]: Às margens do tempo, e numa tarde qualquer, conversávamos eu e o meu amigo Gilberto Avelino [e isto pouco antes de sua morte] – sobre o crescente número de pessoas envolvidas hoje, em Macau, com o processo de criação literária, e sobretudo com o fazer poético. Esse fazer poético que Joan Maragall, o grande poeta catalão, distinguia do restante da literatura, dizendo até mesmo que “[...] a poesia é algo que não tem a ver com a literatura. Poesia é palavra viva e vivificadora. Assim como a Natureza tem no home a máxima expressão de sua capacidade criadora, o home deve empregar toda a força de seu ser em produzir a palavra”. ..A conversa evoluiu para uma idéia, a da publicação de um livro, e logo me ocorreu intitulá-lo A Escola de Macau, o que obteve a receptividade entusiasmada de Gilberto. No título, há uma homenagem direta à cidade, mas há, também, uma busca nostálgica, uma reminiscência que o liga a outra “escola”, aquela de bases físicas e espirituais, que vive no coração de tantos macauenses, e que, neste ano de 2003, completa os seus 80 anos de vida, dedicada ao ensino da mocidade: o Grupo Escolar Duque de Caxias, destruído, dramaticamente, em seu modo arquitetônico original, com a sua completa demolição, ocorrida em 1973, e, depois, reedificado, em vulgar arquitetura.

 

 

 

  

  

Obra: A Escola de Macau; Autores: Gilberto Avelino, Horácio Paiva, Benito Barros, Getulio Moura, João Vicente Guimarães e Getúlio Vargas Maia Barros; Imperial Casa Editora da Casqueira, 2003, Macau-RN.Prefácio de Horácio Paiva [excerto]   Às margens do tempo, e numa tarde qualquer, conversávamos eu e o meu amigo Gilberto Avelino [e isto pouco antes de sua morte] – sobre o crescente número de pessoas envolvidas hoje, em Macau, com o processo de criação literária, e sobretudo com o fazer poético. Esse fazer poético que Joan Maragall, o grande poeta catalão, distinguia do restante da literatura, dizendo até mesmo que “[...] a poesia é algo que não tem a ver com a literatura. Poesia é palavra viva e vivificadora. Assim como a Natureza tem no home a máxima expressão de sua capacidade criadora, o home deve empregar toda a força de seu ser em produzir a palavra”. ..A conversa evoluiu para uma idéia, a da publicação de um livro, e logo me ocorreu intitulá-lo A Escola de Macau, o que obteve a receptividade entusiasmada de Gilberto. No título, há uma homenagem direta à cidade, mas há, também, uma busca nostálgica, uma reminiscência que o liga a outra “escola”, aquela de bases físicas e espirituais, que vive no coração de tantos macauenses, e que, neste ano de 2003, completa os seus 80 anos de vida, dedicada ao ensino da mocidade: o Grupo Escolar Duque de Caxias, destruído, dramaticamente, em seu modo arquitetônico original, com a sua completa demolição, ocorrida em 1973, e, depois, reedificado, em vulgar arquitetura.

Obra: Reportagens que ninguém escreveu; autor: Gilberto Freire de Melo; Fundação Félix Rodrigues; Coleção Várzea do Açu; Série A, nº 003; 2000; Manso Artes Gráficas Ltda.; CDD B869.3; CDU 869.0 [813.2] – 34; Pendências[RN]. Orelha do livro por Arlindo FreireNa cidade de Pendências está situado um gene da humanidade, caracterizado pela criatividade, sabedoria e liberdade cultural, que tem sido desconhecido, ao longo do tempo e espaço do Nordeste brasileiro, em virtude de sua pobreza ou da falta de projeção na comunicação social. O homem de Pendências está ligado ao mundo, assim como o grão de areia está inserto na duna formada das partículas que saíram do mar, levadas pelas ondas e pelo vento em direção ao continente. Como pendenciense, o nosso Gilberto Freire, nascido e embalado pelas águas do rio Açu, tornou-se o gene, isto é, o grão de areia saído daquelas águas correntes para conduzir a sua gente ou o seu povo pelo infinito do oceano em que a vida teve o seu início. O primeiro passo do autor de Reportagens que Ninguém Escreveu foi no ato de sua concepção pelo amor de seus pais, em Pendências de Cima, e, aos cinco anos de idade, quando foi introduzido naquela comunidade, feito com ideal, trabalho, fracassos, vitórias, lágrimas, alegria, fome, desemprego e angústias de ontem e de hoje. Naquele ambiente está a imagem das mulheres que choram, sorriem e falam, além dos que preferem o silêncio, revelando o seu universo de semelhantes primitivos, índios e civilizados, brancos e negros, que vivem em Pendências, em conflito desde quando nasceram, em busca da paz, da felicidade, do amor, e do bem-estar ainda esperados no cenário coletivo. No relato de vinte situações diferentes, simples e populares de Pendências, o legitimo escriba daquelas três populações unidas consegue fazer a síntese da história com a estória, em períodos difíceis que jamais serão esquecidos pelos seres humanos de bom-senso, solidariedade e respeito dos antecedentes e sucessores, mortos e vivos. Com este livro, Gilberto faz a imagem e a poesia de nosso passado, dos que nasceram e viveram em Pendências, dando uma parte de suas vidas para que hoje em dia possamos ter a alegria e o orgulho de saber e reconhecer que somos os seus filhos, descendentes, parentes e amigos, sem esquecer que tudo começou com índios dizimados pelos brancos e civilizados na terra banhada em sangue, apesar de ter sido limpa pelas águas do rio. No ouvido da orelha deste livro, deixamos o abraço para Gilberto Freire, manifestado a partir dos morros do Cabeço, destinado também ao povo pendenciense, com alegria infinita, assim como ao rio, ao solo, às árvores, animais, lua, sal e sol, além das estrelas que nos iluminam desde o alto de nossa tamarineira. 

Autora: Giovana Paiva de Oliveira; obra: De cidade A Cidade

 

Obra: Memória de Macau; Autor: Hélio Dantas; Edição do IHGRN, 1998, Natal. Outras obras: Pedro Álvares Cabral, esse desconhecido[1968], Evocação da Cidade de Natal [1971]; Fatores Políticos da Independência do Brasil [1972], Excerto da introdução do autor: “O presente livro está dividido em cinco enfoques principais, com a seguir: O Primeiro – Como nasceu Este Livro... O Segundo Enfoque cogita dos Primórdios de Macau, face aos documentos e ou a referências abordadas pelos autores, com recuo de mais de um século publicações, com invocação do autor, do título da obra, onde foi efetuada a pesquisa, ou de outros elementos bastantes para identificação da fonte trabalhada, sobretudo do acerta da biblioteca do Autor. Conquanto não se traga matéria nova, todavia constitui um recurso proporcionado ás novas gerações sobre a Historia de nossa Macau, dentro do ângulo trabalhado, face á raridade ou à pouca disponibilidade de livro apara consulta...; O Terceiro Capítulo descreve a Infância e Adolescência do Autor...; O Quarto encerra pequena Galeria de Varões de Minha Infância em Macau... O Quinto Capítulo se constitui da cidade expressa pela Eloqüência das Fotos...”

 

Obra: A Insurreição Comunista de 1935 – Natal – O Primeiro Ato da Tragédia; Autor: Homero de Oliveira Costa; Cooperativa  Cultural UFRN; Editora Ensaio; 1995; São Paulo[SP]; ISBN 97 88585 66925 6. Leia no Fundo do Baú: sobre o episódio em Macau.- Orelha do livro do professor Celso Frederico, da USP -             O ‘assalto aos céus’, tentado pelos revolucionários comunistas, em 1935, ganha agora, neste livro de Homero Costa, um novo tratamento.             A insurreição teve, até recentemente, uma fortuna critica que não fez jus à ousadia daqueles bravos militares. Não me refiro, certamente, às monótonas e burocráticas ‘comemorações’ da ‘Intentona’, que, infalivelmente, todo dia 23 de novembro eram feitas nos quartéis durante a ditadura militar. Importa assinalar tanto a cortina de silêncio do Partido Comunista quanto as interpretações tendenciosas e errôneas levantadas pela historiografia.             O presente livro insere-se no movimento renovador iniciado pelos estudos de Marly Viana e Paulo Sergio Pinheiro, acrescentando a eles novas angulações e até corrigindo algumas imprecisões, dado o caráter localizado e minucioso da pesquisa.             Vasculhando os autos do Tribunal de Segurança Nacional, Homero Costa concentrou sua atenção basicamente na cidade de Natal, ponto nevrálgico da insurreição. Assim fazendo, pôde reconstituir as forças operantes no interior da vida social: a crise das oligarquias locais, o papel desempenhado pelos representantes do movimento tenentista alçados à condição de interventores, a organização do Partido Comunista e da ANL, os ensaios de guerrilha rural e, principalmente, a situação específica vivida pelos militares do 21º Batalhão de Caçadores de Natal – o quartel-general da revolta. Com esse referencial empírico – que põe em primeiro plano o cenário real do drama – Homero Costa transcendeu as tradicionais limitações da historiografia, condenadas a ver em tudo o ‘dedo de Moscou’ ou a ‘infiltração policial’.             O grande mérito deste livro é fazer reviver o contexto particular em que se desenvolveu  o drama de 35, com seus personagens, militares e civis, jogando-se de corpo e alma naquele heróico episódio de nossa história social. Sessenta anos depois, Homero Costa oferece ao leitor um relato apaixonante da ousadia daqueles combatentes ensandecidos pelos ideais de justiça social e entregues ao fogo do combate para construir uma nova forma de sociabilidade. Revisitando a complexa trama dos acontecimentos que propiciaram o levante, acompanhando os passos de seus personagens, reconstruindo com detalhes as variáveis políticas em jogo, o autor reconstitui vivamente aquele episódio épico da história brasileira contemporânea. 

  

Navio entre espadas, de Horácio PaivaTrecho do prefácio do poeta Anchieta Fernandes, denominado Convite - “Cada época, com o seu Horácio [nome próprio que em sua etimologia significa: colocado sob a proteção das Horas, deusas da mitologia greco-romana]. Se os latinos tiveram Quinto Horácio Flaco, que produzia odes e sátiras na tranqüilidade de sua quinta nos montes Sabinos, o Rio Grande do Norte literário contemporâneo deve ler o que produz[iu] um poeta que, iniciante por somente agora publicar um livro, é no entanto maduro em idade e poesia: Horácio de Paiva Oliveira. Os poemas de “Navio entre Espadas” trazem uma linguagem onde a beleza reina plena temperada de toques de onirismo. Vênus, por exemplo [v. o poema “Ode a Vênus”], cujo brilho é – cientificamente falando – apenas um reflexo solar, na poesia horaciana termina por ter um brilho de olhos humanos, já que o poeta, além de ver olhos azuis na estrela matutina, também escuta “palavras de encantamento” pertencentes ao astro. É como se a personificação mitológica [Vênus, a deusa do amor e da beleza] encarnasse o ser-brilho-planeta-de-olhos-azuis em alguém, uma amada humana.

 

 

 

           

 

 

 

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